AUTORIA EM TEMPOS DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: PRÁTICAS DE LEITURA, ESCRITA E PENSAMENTO CRÍTICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.050-020Palavras-chave:
Autoria, Inteligência Artificial, Leitura, Escrita, Pensamento críticoResumo
A expansão da Inteligência Artificial generativa tem produzido impactos significativos nas práticas escolares contemporâneas, especialmente nos processos de leitura, escrita e produção de conhecimento. Na Educação Básica, esse cenário exige reflexão crítica sobre autoria, mediação docente e formação discente diante de tecnologias capazes de produzir textos, imagens e respostas em linguagem natural. O presente capítulo analisa como a presença da IA reconfigura concepções tradicionais de autoria escolar e desafia modelos pedagógicos centrados apenas no produto final da aprendizagem. Sustenta-se que o uso pedagógico dessas tecnologias requer articulação entre inovação, ética e criticidade, evitando tanto posturas de rejeição absoluta quanto adesões acríticas. A discussão fundamenta-se em autores do campo da linguagem, da educação e da cultura digital, como Bakhtin, Freire, Rojo, Santaella, Holmes e Tuomi, além de documentos recentes da UNESCO e do Ministério da Educação. Defende-se que a escola precisa assumir papel ativo na formação de estudantes capazes de ler criticamente conteúdos produzidos por IA, escrever com responsabilidade e compreender limites, vieses e potencialidades desses sistemas. Ao final, propõem-se caminhos pedagógicos para integrar a IA às práticas escolares sem esvaziar a centralidade da experiência humana no ato de aprender, interpretar e produzir sentidos.
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