A LENTE DA INTERSECCIONALIDADE NA PROMOÇÃO DA INCLUSÃO ESCOLAR: UMA ANÁLISE DAS MÚLTIPLAS IDENTIDADES E ESTRUTURAS DE OPRESSÃO NO COTIDIANO DOCENTE
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.032-015Palavras-chave:
Interseccionalidade, Educação inclusiva, Letramento racial, Marcadores sociais, Formação docenteResumo
Este artigo analisa a interseccionalidade como ferramenta analítica e pedagógica aplicada ao cotidiano escolar brasileiro, com o objetivo de compreender como múltiplos marcadores sociais — raça, classe, gênero, sexualidade, deficiência e regionalidade — se combinam para produzir experiências singulares de exclusão que os modelos educacionais tradicionais são incapazes de capturar. A partir da obra seminal de Kimberlé Crenshaw e de seu desenvolvimento no contexto brasileiro, especialmente por Carla Akotirene, problematiza-se a insuficiência de políticas pedagógicas baseadas em eixos únicos de identidade, que tendem a apagar as especificidades dos grupos duplamente ou multiplamente marginalizados. Por meio de revisão bibliográfica de base qualitativa e análise de trajetórias escolares documentadas na literatura especializada nacional — com destaque para as experiências de estudantes trans e de alunos com deficiência na interseção com marcadores de classe e raça —, o artigo propõe estratégias concretas de inclusão interseccional, articulando práticas docentes, uso de mídias culturais e políticas intersetoriais. Conclui-se que a incorporação da sensibilidade interseccional à formação e à prática docente é condição fundamental para que a escola brasileira cumpra sua função social de acolhimento integral de todos os sujeitos.
Downloads
Referências
ABGLT. Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos. Pesquisa nacional sobre o ambiente educacional no Brasil 2016: as experiências de adolescentes e jovens lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais em nossos ambientes educacionais. Curitiba: ABGLT, 2016.
AKOTIRENE, Carla. Interseccionalidade. São Paulo: Sueli Carneiro; Pólen, 2019. (Feminismos Plurais).
ARROYO, Miguel González. Currículo, território em disputa. Petrópolis: Vozes, 2011.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília: Senado Federal, 1988.
BRASIL. Lei n.º 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União, Brasília, 23 dez. 1996.
BRASIL. Lei n.º 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Diário Oficial da União, Brasília, 7 jul. 2015.
CRENSHAW, Kimberlé W. Demarginalizing the Intersection of Race and Sex: A Black Feminist Critique of Antidiscrimination Doctrine, Feminist Theory and Antiracist Politics. University of Chicago Legal Forum, Chicago, v. 1, p. 139-167, 1989.
CRENSHAW, Kimberlé W. Demarginalizing the intersection of race and sex: a black feminist critique of antidiscrimination doctrine, feminist theory and antiracist politics. University of Chicago Legal Forum, Chicago, v. 1989, n. 1, p. 139-167, 1989.
EZEBIO, Felipe Daniel. Interseccionalidade: uma perspectiva necessária às salas de aula. Revista Educação e Emancipação, São Luís, v. 13, n. 2, p. 74-92, 2020.
GONZALEZ, Lélia. Racismo e sexismo na cultura brasileira. Revista Ciências Sociais Hoje, São Paulo, n. 2, p. 223-244, 1984.
LOPES, Alê. Interseccionalidade, intersetorialidade e transversalidade: conceitos para pensar políticas públicas e práticas educacionais inclusivas. Cadernos de Pesquisa em Educação, Vitória, v. 22, n. 50, p. 18-38, 2019.
LOURO, Guacira Lopes. Gênero, sexualidade e educação: uma perspectiva pós-estruturalista. Petrópolis: Vozes, 1997.
MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar: o que é? Por quê? Como fazer? São Paulo: Moderna, 2003.
MUNANGA, Kabengele. Rediscutindo a mestiçagem no Brasil: identidade nacional versus identidade negra. Petrópolis: Vozes, 1999.
PATTO, Maria Helena Souza. A produção do fracasso escolar: histórias de submissão e rebeldia. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1999.
SANTOS, Boaventura de Sousa. A gramática do tempo: para uma nova cultura política. São Paulo: Cortez, 2006.
SCOTT, Joan W. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 20, n. 2, p. 71-99, 1995.
SILVA, Tomaz Tadeu da. Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo. Belo Horizonte: Autêntica, 1999.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.