O PAPEL DO GESTOR ESCOLAR NA ARTICULAÇÃO ENTRE FAMÍLIA, ESCOLA E SERVIÇOS DE SAÚDE NO ATENDIMENTO DE ESTUDANTES COM TEA
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.018-039Palavras-chave:
Gestão escolar, Transtorno do Espectro Autista, Inclusão escolar, IntersetorialidadeResumo
A educação inclusiva contemporânea enfrenta o desafio complexo de garantir não apenas o acesso, mas a permanência qualificada e a aprendizagem efetiva de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Nesse cenário, este artigo investiga o papel estratégico e centralizador do gestor escolar na articulação indispensável entre a família, a escola e os serviços de saúde. A pesquisa justifica-se pela identificação de um problema latente na realidade educacional, a fragmentação das ações de cuidado e ensino, onde escolas, terapeutas e familiares frequentemente atuam de forma isolada, gerando lacunas no atendimento e descontinuidade no desenvolvimento do aluno. O objetivo central do trabalho foi analisar, sob a ótica da literatura especializada, como a gestão escolar pode atuar como mediadora nessa relação tríade, harmonizando as expectativas familiares e as orientações clínicas com as práticas pedagógicas. Para tanto, adotou-se como metodologia uma revisão de literatura de natureza qualitativa e caráter exploratório. O levantamento de dados abrangeu o recorte temporal de 1996 a 2024, resultando na seleção criteriosa e análise temática de dez artigos científicos e seis livros em língua portuguesa, recuperados de bases de dados como Google Acadêmico e Scielo. Os principais resultados encontrados demonstram que o gestor escolar necessita transcender as funções burocráticas, assumindo uma liderança política e pedagógica focada na gestão democrática. Identificou-se que a eficácia da articulação depende da implementação colaborativa do Plano Educacional Individualizado (PEI), da correta administração dos recursos do Atendimento Educacional Especializado (AEE) e da promoção de formação continuada em serviço para os docentes. Além disso, a literatura evidenciou que o acolhimento humanizado e a escuta ativa das famílias são fatores determinantes para o sucesso da inclusão. Conclui-se que o gestor é o elo fundamental para a efetivação da intersetorialidade. O estudo contribui ao evidenciar que, sem uma gestão que atue como "tradutora" entre as demandas de saúde e a realidade escolar, a inclusão tende a ser incipiente. As considerações finais reforçam a necessidade de políticas públicas e treinamentos que capacitem o gestor para liderar redes de apoio, evitando a medicalização do ensino e assegurando o pleno direito à educação de qualidade para o estudante com TEA.
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