COMUNICAÇÃO DE MÁS NOTÍCIAS NA URGÊNCIA E EMERGÊNCIA: O PROTOCOLO SPIKES E O PAPEL ESTRATÉGICO, PORÉM DESVALORIZADO, DA EQUIPE MULTIPROFISSIONAL NO CUIDADO HUMANIZADO
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.070-001Palavras-chave:
Comunicação em Saúde, Equipe Multiprofissional, Humanização da Assistência, Protocolo SPIKES, Urgência e EmergênciaResumo
A comunicação de más notícias constitui um dos desafios mais complexos e emocionalmente exigentes da prática em saúde, particularmente nos setores de urgência e emergência, onde a instantaneidade das decisões e a imprevisibilidade dos desfechos clínicos intensificam a vulnerabilidade de pacientes, familiares e profissionais. O presente artigo tem como objetivo analisar, à luz da literatura científica contemporânea, o papel do protocolo SPIKES como ferramenta estruturante da comunicação de más notícias, evidenciando a atuação da equipe multiprofissional como engrenagem indispensável a esse processo, ainda que historicamente subvalorizada nos espaços de decisão e nas políticas institucionais de saúde. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, de abordagem qualitativa, construída a partir de publicações indexadas em bases de dados nacionais e internacionais, compreendendo o período de 2018 a 2025, com o intuito de atualizar e ampliar discussões anteriores sobre a temática. Os resultados apontam que o protocolo SPIKES, organizado em seis etapas sequenciais e adaptáveis, mostra-se eficaz na estruturação do diálogo entre profissionais e pacientes, favorecendo a redução do sofrimento psíquico, o fortalecimento do vínculo terapêutico e a tomada de decisão compartilhada. Constatou-se, ainda, que a comunicação eficaz de más notícias não deve ser atribuição exclusiva do médico, mas responsabilidade compartilhada por toda a equipe multiprofissional – enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas, farmacêuticos e demais categorias –, cuja atuação integrada é frequentemente invisibilizada nos protocolos institucionais e na formação acadêmica tradicional. Conclui-se que a incorporação sistemática do protocolo SPIKES, associada à valorização e ao reconhecimento formal do trabalho multiprofissional, representa caminho promissor para a humanização do cuidado em contextos de urgência e emergência, exigindo investimentos em educação permanente, revisão curricular e políticas institucionais de reconhecimento profissional.
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