TRANSTORNOS DE ANSIEDADE E TRANSTORNOS DEPRESSIVOS: DIAGNÓSTICO CONTEMPORÂNEO À LUZ DO DSM-5 E O PAPEL ESTRUTURANTE DA EQUIPE MULTIPROFISSIONAL EM SAÚDE MENTAL
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.070-006Palavras-chave:
DSM-5, Diagnóstico psiquiátrico, Equipe multiprofissional, Saúde mental, Transtornos de ansiedade, Transtornos depressivosResumo
O presente artigo tem como objetivo discutir os aspectos diagnósticos contemporâneos dos transtornos de ansiedade e dos transtornos depressivos, tomando como referência a quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), articulando essa discussão à necessidade premente de valorização e fortalecimento da equipe multiprofissional em saúde mental. Parte-se do pressuposto de que o diagnóstico psiquiátrico, embora estruturado a partir de critérios operacionais, não pode prescindir da escuta clínica ampliada, da compreensão do sujeito em seu contexto histórico, social e subjetivo, e da atuação articulada de diferentes núcleos profissionais. Por meio de revisão narrativa da literatura, o estudo percorre a evolução dos sistemas classificatórios, discute os critérios diagnósticos atuais para os principais transtornos de ansiedade e depressivos, aponta os desafios do diagnóstico diferencial e das comorbidades, e problematiza a hegemonia do modelo biomédico centrado exclusivamente na figura médica, que tem historicamente subestimado e desvalorizado a contribuição de psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, enfermeiros e demais profissionais que compõem as equipes de saúde mental. Conclui-se que a superação da fragmentação do cuidado depende da consolidação de práticas interdisciplinares, do investimento em educação permanente e da revalorização simbólica, técnica e financeira dos profissionais não médicos, de modo a garantir diagnósticos mais precisos e cuidado integral, humanizado e resolutivo aos usuários dos serviços de saúde mental.
Downloads
Referências
AMARANTE, P. Saúde mental e atenção psicossocial. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2007.
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. DSM-5: Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.
BALLONE, G. J. Comorbidade entre ansiedade e depressão. Revista Brasileira de Psiquiatria Clínica, v. 45, n. 2, p. 34-41, 2018.
BARROS, M. B. A.; SALLES, D. Impacto psicossocial da pandemia de COVID-19 na saúde mental da população brasileira. Ciência & Saúde Coletiva, v. 26, n. 9, p. 4211-4224, 2021.
BARTALOTTI, C. C. Terapia ocupacional e saúde mental. São Paulo: Plexus, 2006.
BASAGLIA, F. A instituição negada. Rio de Janeiro: Graal, 1985.
CAPONI, S. Loucos e degenerados: uma genealogia da psiquiatria ampliada. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2014.
CECCIM, R. B.; FEUERWERKER, L. C. M. O quadrilátero da formação para a área da saúde. Physis: Revista de Saúde Coletiva, v. 14, n. 1, p. 41-65, 2004.
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Referências técnicas para atuação de psicólogas(os) no CAPS. Brasília: CFP, 2019.
DALGALARRONDO, P. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019.
DUNKER, C. I. L. Mal-estar, sofrimento e sintoma: uma psicopatologia do Brasil entre muros. São Paulo: Boitempo, 2015.
FONSECA, A. B.; ANDRADE, L. H. Comparação entre DSM-5 e CID-11: convergências e divergências. Revista de Psiquiatria Clínica, v. 47, n. 3, p. 112-120, 2020.
FRANCES, A. Saving normal: an insider's revolt against out-of-control psychiatric diagnosis. New York: William Morrow, 2013.
IAMAMOTO, M. V. Serviço social em tempo de capital fetiche. 10. ed. São Paulo: Cortez, 2015.
KANTORSKI, L. P. et al. A enfermagem e o cuidado em saúde mental. Revista Gaúcha de Enfermagem, v. 30, n. 3, p. 526-532, 2009.
KESSLER, R. C. et al. Comorbidade entre transtornos de ansiedade e depressão.World Psychiatry, v. 14, n. 2, p. 154-162, 2015.
MERHY, E. E. Saúde: a cartografia do trabalho vivo. São Paulo: Hucitec, 2002.
ONOCKO-CAMPOS, R. T. Saúde mental no Brasil: avanços, retrocessos e desafios. Cadernos de Saúde Pública, v. 35, n. 11, p. e00156119, 2019.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Relatório mundial de saúde mental: transformando a saúde mental para todos. Genebra: OMS, 2022.
PEDUZZI, M. Equipe multiprofissional de saúde: conceito e tipologia. Revista de Saúde Pública, v. 35, n. 1, p. 103-109, 2001.
PEREIRA, M. E. C. Do DSM-III ao DSM-5: trinta anos de nosografia psiquiátrica. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, v. 16, n. 2, p. 195-208, 2013.
SAUPE, R. et al. Competência dos profissionais da saúde para o trabalho interdisciplinar. Interface — Comunicação, Saúde, Educação, v. 9, n. 18, p. 521-536, 2005.
VASCONCELOS, E. M. Saúde mental e serviço social: o desafio da subjetividade e da interdisciplinaridade. 6. ed. São Paulo: Cortez, 2010.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. ICD-11: International Classification of Diseases for Mortality and Morbidity Statistics. 11. ed. Geneva: WHO, 2019.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.