SINAIS RADIOGRÁFICOS TÍPICOS DOS DIFERENTES TIPOS DE ABDOME AGUDO
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.024-008Palavras-chave:
Distensão gasosa, Pneumoperitônio, Íleo localizado, Pneumatose intestinal, Radiotransparente, Sinais inespecíficos, EmergênciaResumo
No contexto de abdome agudo, uma condição de emergência que exige diagnóstico rápido, a radiografia abdominal é uma ferramenta fundamental para identificar a causa do quadro. Em casos de abdome agudo obstrutivo, que ocorre por obstrução mecânica do intestino delgado ou grosso, os sinais radiográficos mais comuns incluem distensão gasosa, onde as alças intestinais aparecem dilatadas e preenchidas por gás e líquidos, podendo observar-se também níveis hidroaéreos, que são interfaces visíveis entre gás e líquido em diferentes alturas nas alças intestinais, indicando obstrução. Um exemplo clássico é a presença de múltiplos níveis hidroaéreos em uma radiografia de abdome, além de ausência de gás na porção distal do intestino, como o reto, sugerindo que há uma obstrução acima desse ponto. Outro sinal ilustrativo é o “sinal do grão de café” no sigmoide, caracterizado por uma alça dilatada com uma aparência arredondada e escavada, típico de volvo sigmoide.Para o abdome agudo perfurativo, que resulta da perfuração de uma víscera oca, como úlcera péptica, o sinal clássico é o pneumoperitônio, que aparece na radiografia como uma área radiotransparente sob o diafragma, indicando ar livre na cavidade peritoneal. Em casos de perfuração esofágica, pode-se observar ar no mediastino ou em espaços pericárdicos, além do ar sob o diafragma. Um exemplo é a radiografia de um paciente com úlcera perfurada, onde o ar livre sob o diafragma direito é facilmente detectável, confirmando a presença de pneumoperitônio. No abdome agudo inflamatório ou infeccioso, como na apendicite ou diverticulite, os sinais radiográficos podem ser menos específicos, mas alguns exemplos ajudam na identificação. Em uma diverticulite, pode-se observar um aumento do volume em uma região do cólon, com possível presença de uma massa de densidade de tecidos moles, além do apagamento das linhas de gordura ao redor do órgão inflamado. Em casos de abscesso, uma massa com densidade de tecidos moles pode ser vista, às vezes com sinais de infiltração periabdominal. Em uma radiografia de apendicite, pode haver distensão de alças intestinais próximas ao ceco, além de sinais de ileo localizado, com distensão de segmentos específicos do intestino. Por fim, o abdome agudo vascular, que decorre de isquemia ou hemorragia, apresenta sinais mais inespecíficos na radiografia. Um exemplo é o íleo adinâmico, que se manifesta por uma distensão gasosa difusa, sem níveis hidroaéreos, indicando uma disfunção na motilidade intestinal. Outro sinal importante é a pneumatose intestinal, que consiste na presença de gás na parede do intestino, sugerindo isquemia ou necrose. Essa condição é visualizada como áreas radiotransparentes dentro da parede intestinal, frequentemente associada a um quadro de grave comprometimento vascular. É importante salientar que a radiografia abdominal é uma ferramenta diagnóstica valiosa, mas deve sempre ser interpretada em conjunto com a história clínica detalhada, exame físico e outros exames complementares, como tomografia, para confirmação do diagnóstico e planejamento do tratamento adequado.
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