SÍNDROME DE MUNCHAUSEN E SÍNDROME DE MUNCHAUSEN POR PROCURAÇÃO: UMA REVISÃO INTEGRATIVA SOBRE DIAGNÓSTICO, CUIDADO MULTIPROFISSIONAL E DESAFIOS ASSISTENCIAIS CONTEMPORÂNEOS
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.070-005Palavras-chave:
Relações interprofissionais, Síndrome de Munchausen, Síndrome de Munchausen causada por terceiros, Transtorno factícioResumo
A síndrome de Munchausen e a síndrome de Munchausen por procuração constituem quadros psicopatológicos complexos, caracterizados pela produção deliberada e reiterada de sinais, sintomas ou alterações laboratoriais, sem que haja benefício secundário evidente, como ocorre na simulação. Trata-se de fenômenos clínicos de difícil identificação, que impõem sofrimento físico e psíquico ao próprio indivíduo, no caso da forma autoinfligida, ou a terceiros sob sua tutela — em geral crianças pequenas —, na modalidade por procuração, hoje também compreendida sob a nomenclatura de doença factícia imposta a outrem. O presente estudo teve como objetivo revisar, de forma integrativa e atualizada, a literatura científica nacional e internacional produzida principalmente na última década, de modo a discutir critérios diagnósticos contemporâneos, aspectos epidemiológicos, psicodinâmicos, éticos e assistenciais dessas condições, com ênfase especial no papel da equipe multiprofissional de saúde como elemento estruturante do diagnóstico precoce, do manejo terapêutico e da proteção das vítimas, além de problematizar a histórica desvalorização desses profissionais nos fluxos de cuidado. Foi realizada busca em bases de dados eletrônicas, com síntese qualitativa dos achados. Os resultados indicam que, não obstante os avanços classificatórios trazidos pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, quinta edição, texto revisado, e pela Classificação Internacional de Doenças, décima primeira revisão, persistem lacunas relevantes quanto à epidemiologia, ao rastreamento sistemático e ao manejo interdisciplinar dessas síndromes, favorecendo subdiagnóstico, iatrogenia e prolongamento da exposição das vítimas a maus-tratos. Conclui-se que o enfrentamento dessas condições demanda investimento em capacitação continuada, fortalecimento de protocolos de comunicação entre especialidades e reconhecimento institucional efetivo do trabalho de enfermagem, psicologia, serviço social, terapia ocupacional e demais categorias que compõem o cuidado em saúde, historicamente relegadas a papel coadjuvante nesses processos decisórios.
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