DESAFIOS E PERSPECTIVAS CONTEMPORÂNEAS NA ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DO HOMEM NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.070-002Palavras-chave:
Atenção Primária à Saúde, Equipe multiprofissional, Masculinidades, Políticas públicas de saúde, Saúde do homemResumo
A saúde masculina permanece como um campo de disputas simbólicas, institucionais e assistenciais no âmbito das políticas públicas brasileiras, ainda que o Brasil figure como o único país latino-americano a dispor de uma política nacional voltada especificamente à população masculina, a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH). O presente artigo tem como objetivo analisar, à luz da literatura científica contemporânea, os avanços, entraves e possibilidades de qualificação do cuidado integral ao homem no Sistema Único de Saúde (SUS), com destaque para o papel estratégico e frequentemente subestimado da equipe multiprofissional nesse processo. Trata-se de estudo de revisão narrativa da literatura, de natureza qualitativa, fundamentado em publicações nacionais e internacionais dos últimos anos, complementadas por documentos oficiais do Ministério da Saúde. Os resultados evidenciam que, passados mais de quinze anos da instituição da PNAISH, persistem barreiras culturais associadas a construções hegemônicas de masculinidade, fragilidades na organização dos serviços de Atenção Primária à Saúde (APS) e uma acentuada desvalorização simbólica e material dos profissionais que compõem as equipes multiprofissionais, os quais são, paradoxalmente, os principais responsáveis pela operacionalização cotidiana das ações de cuidado. Conclui-se que a superação desse cenário exige não apenas a reafirmação dos cinco eixos estruturantes da política, mas o reconhecimento institucional, financeiro e simbólico do trabalho multiprofissional como engrenagem indispensável à efetivação de um cuidado integral, equânime e sensível às singularidades de gênero.
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