ANESTESIA NO PACIENTE OBESO: PARTICULARIDADES FISIOPATOLÓGICAS, RISCOS PERIOPERATÓRIOS E ESTRATÉGIAS DE SEGURANÇA
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.068-076Palavras-chave:
Anestesia, Complicações anestésicas, Manejo das vias aéreas, Obesidade, Período perioperatório, Segurança do pacienteResumo
Introdução: A obesidade constitui uma condição clínica crônica associada a alterações metabólicas, cardiovasculares, respiratórias e farmacocinéticas que modificam significativamente a resposta do organismo aos procedimentos anestésicos. A redução da reserva respiratória, a maior probabilidade de dificuldades no manejo das vias aéreas, a presença de comorbidades e as alterações na distribuição e eliminação dos fármacos tornam o cuidado perioperatório desses pacientes particularmente desafiador. Objetivo: Analisar as principais particularidades fisiopatológicas relacionadas à anestesia no paciente obeso, discutir os riscos perioperatórios associados e apresentar estratégias fundamentadas em evidências científicas para aumentar a segurança anestésica. Metodologia: Foi elaborada uma revisão narrativa da literatura, fundamentada em publicações científicas sobre anestesiologia, fisiologia respiratória, farmacologia clínica, segurança perioperatória e recomendações de sociedades especializadas. Foram consideradas revisões científicas e diretrizes relevantes, com ênfase nas publicações disponíveis até outubro de 2026. Desenvolvimento: As principais particularidades anestésicas da obesidade incluem redução da capacidade residual funcional, aumento do consumo de oxigênio, maior predisposição à atelectasia, dificuldade potencial de ventilação e intubação, maior prevalência de apneia obstrutiva do sono e alterações na farmacocinética e farmacodinâmica dos anestésicos. Esses fatores podem favorecer hipoxemia, hipoventilação, instabilidade hemodinâmica, aspiração pulmonar, bloqueio neuromuscular residual e complicações tromboembólicas. A avaliação pré-anestésica individualizada, o posicionamento adequado, a pré-oxigenação, a ventilação protetora, a seleção criteriosa dos medicamentos e a monitorização pós-operatória constituem componentes essenciais da prevenção de eventos adversos. Conclusão: A anestesia no paciente obeso exige planejamento individualizado, conhecimento das alterações fisiopatológicas e implementação sistemática de medidas de segurança. A obesidade, isoladamente, não determina a ocorrência de complicações nem constitui contraindicação automática à anestesia ou à cirurgia. A identificação dos fatores de risco, a otimização clínica e a disponibilidade de recursos apropriados são fundamentais para melhorar os desfechos perioperatórios.
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