DO APAGAMENTO AO RECONHECIMENTO: A ETNOMATEMÁTICA PRÉ-COLOMBIANA E SUAS POTENCIALIDADES PARA A EDUCAÇÃO MATEMÁTICA

Autores

  • Valéria Pissolatto dos Santos Autor
  • Luiz Antonio dos Santos Magalhães Autor
  • Gisele de Oliveira Montanha Puruborá Autor
  • Bruna Monteiro Marinho Autor
  • Kesia Santana Machado de Sousa Autor

DOI:

https://doi.org/10.63330/aurumpub.022-014

Palavras-chave:

Etnomatemática, Pré-colombiana, Educação Matemática, Interculturalidade

Resumo

O presente capítulo aborda a Etnomatemática como um campo de valorização dos saberes produzidos por civilizações não ocidentais, focando especificamente no legado matemático dos povos pré-colombianos. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica de natureza qualitativa e teórica, que revisita a historiografia da matemática para contrapor a narrativa eurocêntrica predominante nos currículos escolares. O objetivo principal do estudo é investigar os sistemas matemáticos desenvolvidos por Maias, Astecas e Incas e discutir suas potencialidades pedagógicas para uma Educação Matemática mais inclusiva e intercultural. A metodologia consistiu na revisão de literatura fundamentada em teóricos da Etnomatemática, como Ubiratan D’Ambrósio, e em registros históricos e arqueológicos sobre a ciência mesoamericana e andina. Os resultados demonstram a alta sofisticação desses povos: os Maias desenvolveram um sistema numérico vigesimal posicional e o conceito abstrato de zero com fins astronômicos; os Astecas utilizaram pictogramas funcionais para contabilidade tributária e planejamento urbano; e os Incas criaram os Quipus, um complexo sistema lógico de cordas e nós para registro de dados e engenharia. Conclui-se que esses conhecimentos transcendem o folclore e possuem rigor científico, oferecendo aos educadores ferramentas poderosas para ensinar conceitos de aritmética, geometria e tratamento da informação, além de promover o reconhecimento da diversidade cultural e combater o epistemicídio na formação dos estudantes.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Referências

BAQUEDANO, Elizabeth. Os Astecas. Tradução de Maria Georgina Segurado. São Paulo: Melhoramentos, 1998.

BISHOP, Alan J. Enculturação matemática: uma perspectiva cultural sobre o ensino de matemática. Tradução de Áurea Domene. Campinas: Papirus, 1991.

BOGDAN, Robert C.; BIKLEN, Sari Knopp. Investigação qualitativa em educação: uma introdução à teoria e aos métodos. Tradução de Maria João Alvarez, Sara Bahia e Telmo Mourinho Baptista. Porto: Porto Editora, 1994.

BRAINLY. Exemplo de Quipu andino. 2025. Disponível em: https://brainly.com.br. Acesso em: 10 dez. 2025.

BRASIL. Lei nº 11.645, de 10 de março de 2008. Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, modificada pela Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”. Brasília, DF: Presidência da República, 2008.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC/SEB, 2018.

CAPELATO, Maria Helena Rolim. Ensino primário franquista: os livros escolares como instrumento de doutrinação infantil. Revista Brasileira de História, São Paulo, v. 29, n. 58, p. 115-136, 2009.

CASTRO-GÓMEZ, Santiago. La hybris del punto cero: ciencia, raza e ilustración en la Nueva Granada (1750-1816). Bogotá: Pontificia Universidad Javeriana, 2005.

COE, Michael D.; HOUSTON, Stephen. The Maya. 9. ed. New York: Thames & Hudson, 2015.

D’AMBROSIO, Ubiratan. Etnomatemática: elo entre as tradições e a modernidade. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2001.

D’AMBROSIO, Ubiratan. Sociedade, cultura, matemática e seu ensino. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 31, n. 1, p. 99-120, 2005.

FAVRE, Henri. A civilização inca. Tradução de Maria Julia Goldwasser. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004.

FONSECA, Maria da Conceição F. R. Educação Matemática de Jovens e Adultos: especificidades, desafios e contribuições. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2010.

GENDROP, Paul. A civilização maia. Tradução de Maria Julia Goldwasser. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1987.

LEITE, Kécio Gonçalves. Nós Mesmos e os Outros: Etnomatemática e Interculturalidade na Escola Indígena Paiter. 2014. 238 f. Tese (Doutorado em Educação em Ciências e Matemática) – Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Rede Amazônica de Educação em Ciências e Matemática (REAMEC), Cuiabá, 2014.

MATEPREHISPÁNICAS. Sistema de numeração asteca. 2020. Disponível em: https://mateprehispanicas.blogspot.com. Acesso em: 15 nov. 2024.

MENDES, Iran Abreu. Matemática e investigação em sala de aula: tecendo redes cognitivas na aprendizagem. 2. ed. São Paulo: Livraria da Física, 2009.

MUNDO INCAS. Quipus: o sistema de contabilidade inca. 2016. Disponível em: https://mundoincas.com. Acesso em: 20 nov. 2024.

OLIVEIRA, Marcio; ARAÚJO, Janny. Decolonialidade e Educação Matemática: caminhos para um currículo antirracista. Revista Latinoamericana de Etnomatemática, v. 16, n. 1, p. 5-22, 2023.

QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, Edgardo (Org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Buenos Aires: CLACSO, 2005. p. 117-142.

RESTALL, Matthew. Seven Myths of the Spanish Conquest. Oxford: Oxford University Press, 2003.

ROSA, Milton; OREY, Daniel Clark. O campo de pesquisa em etnomodelagem: as abordagens êmica, ética e dialética. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 38, n. 4, p. 165-279, 2012.

ROSA, Milton; OREY, Daniel Clark. Polissemia na Educação Matemática: a etnomatemática como um programa de pesquisa. Revista de Educação Matemática, São Paulo, v. 12, n. 15, p. 210-225, 2015.

SANTOS, Carlos A. et al. A matemática maia e suas implicações no ensino fundamental. Revista Brasileira de Educação em Ciências e Educação Matemática, v. 7, n. 2, p. 1-15, 2023.

URTON, Gary. Signs of the Inka Khipu: Binary Coding in the Andean Knotted-String Records. Austin: University of Texas Press, 2003.

VILCA, Milton. Etnomatemática nos Andes: saberes e práticas. Lima: Editorial Universitaria, 2022.

Publicado

2025-12-22

Como Citar

DO APAGAMENTO AO RECONHECIMENTO: A ETNOMATEMÁTICA PRÉ-COLOMBIANA E SUAS POTENCIALIDADES PARA A EDUCAÇÃO MATEMÁTICA. (2025). Aurum Editora, 203-221. https://doi.org/10.63330/aurumpub.022-014