EDUCAÇÃO MATEMÁTICA NA AMAZÔNIA OCIDENTAL: O RESGATE DOS MATERIAIS MANIPULÁVEIS EM TEMPOS DE RESTRIÇÃO DIGITAL
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.028-030Palavras-chave:
Educação Matemática, Amazônia Ocidental, Materiais Manipuláveis, Restrição Digital, Práticas PedagógicasResumo
O presente artigo aborda os desafios contemporâneos da Educação Matemática no contexto da Amazônia Ocidental, com ênfase nas adaptações necessárias diante da recente legislação que restringe o uso de dispositivos móveis em sala de aula. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza exploratória e bibliográfica, que busca respostas para o impasse pedagógico criado pela ausência momentânea de recursos digitais. O objetivo do estudo é analisar como o resgate de materiais manipuláveis e a abordagem da Etnomatemática podem atuar como estratégias pedagógicas eficazes e culturalmente relevantes neste novo cenário normativo. A metodologia consistiu em uma revisão sistemática da literatura, dialogando com teóricos da área para investigar as potencialidades didáticas de recursos táteis como o Tangram, o Geoplano e o Material Dourado. Os resultados evidenciam que a utilização intencional e planejada de objetos concretos facilita a transição do raciocínio empírico para o pensamento abstrato e promove um engajamento significativo, suprindo de forma criativa a lacuna deixada pelas tecnologias. Conclui-se que a reinvenção das práticas docentes, ao valorizar a interação tátil e a realidade cultural local, é indispensável para assegurar uma aprendizagem matemática crítica, inclusiva e alinhada às demandas educacionais da região.
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