MANIFESTAÇÕES NEUROLÓGICAS NA HANSENÍASE: ASPECTOS CLÍNICOS, DIAGNÓSTICOS E IMPLICAÇÕES TERAPÊUTICAS
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.036-024Palabras clave:
Hanseníase, Neuropatia periférica, Neurite, Reações hansênicas, Incapacidade física, Mycobacterium leprae, Saúde públicaResumen
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, caracterizada por tropismo por pele e nervos periféricos. O comprometimento neurológico constitui a principal causa de morbidade e incapacidades permanentes associadas à doença, sendo responsável por deformidades físicas e importante impacto psicossocial. A lesão neural decorre tanto da invasão direta do bacilo às células de Schwann quanto da resposta imunológica do hospedeiro, que pode intensificar o processo inflamatório intraneural. Clinicamente, a neuropatia hansênica manifesta-se de forma assimétrica, frequentemente como mononeuropatia múltipla, com acometimento preferencial de nervos superficiais, como ulnar, mediano, fibular comum e tibial posterior. Os sinais precoces incluem perda da sensibilidade térmica e dolorosa, seguida de comprometimento tátil e motor. A progressão pode resultar em fraqueza muscular, atrofias e deformidades, como mão em garra e pé caído. O envolvimento autonômico também é relevante, cursando com anidrose, xerose cutânea, alterações vasomotoras e predisposição a úlceras neuropáticas.As reações hansênicas representam eventos inflamatórios agudos que agravam o dano neural. A reação tipo 1 (reversa) está associada à exacerbação da imunidade celular, enquanto a reação tipo 2, ou eritema nodoso hansênico, envolve mecanismo imunocomplexo sistêmico. A neurite aguda configura emergência médica, caracterizada por dor intensa e perda funcional rápida, exigindo intervenção imediata para evitar sequelas irreversíveis. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na identificação de lesões cutâneas com alteração sensitiva, espessamento neural periférico e déficits motores ou sensitivos focais, complementado por exames como baciloscopia e eletroneuromiografia em casos selecionados. O tratamento fundamenta-se na poliquimioterapia padronizada pela Organização Mundial da Saúde, associada ao manejo das reações inflamatórias com corticosteroides e, em casos específicos, talidomida. Embora eficaz na eliminação do bacilo, a terapia não reverte dano neural estabelecido, reforçando a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento sistemático para prevenção de incapacidades.
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