SALÁRIOS BAIXOS, SONHOS ALTOS: A CONTRADIÇÃO DE ENSINAR NUM PAÍS DESIGUAL
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.020-016Palavras-chave:
Valorização docente, Educação brasileira, Desigualdade socialResumo
O presente artigo analisa a crise de valorização docente no Brasil a partir da contradição expressa no binômio “salários baixos e sonhos altos”, buscando compreender como a precarização do magistério reflete as desigualdades estruturais da sociedade brasileira. Fundamentado em uma abordagem qualitativa e de natureza bibliográfica, o estudo dialoga com autores da pedagogia crítica e da sociologia da educação, como Paulo Freire (2019), Henry Giroux (2021), Maurice Tardif (2014), Miguel Arroyo (2020), António Nóvoa (2021), Dermeval Saviani (2019) e Claude Dubar (2012), articulando dimensões históricas, políticas e éticas da profissão docente. A pesquisa demonstra que a desvalorização dos professores não se limita à questão salarial, mas alcança o campo simbólico e subjetivo, afetando a identidade e a dignidade do educador. Evidencia-se que o discurso da vocação, utilizado para justificar o descaso estatal, sustenta uma lógica de exploração emocional que desumaniza o ato de ensinar. Os resultados indicam que a resistência dos professores, mesmo diante da indiferença institucional, reafirma a docência como ato político e expressão de esperança. Conclui-se que a valorização docente constitui não apenas uma demanda trabalhista, mas uma exigência civilizatória, indispensável à consolidação de uma educação pública de qualidade e de uma sociedade democrática.
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