NEUROCIÊNCIA APLICADA À EDUCAÇÃO: EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS PARA A TRANSFORMAÇÃO DAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.035-076Palavras-chave:
Neurociência, Aprendizagem, Práticas pedagógicas, Neuroplasticidade, Educação básicaResumo
A crescente aproximação entre neurociência e educação tem produzido um campo de investigações que busca compreender como os processos biológicos do cérebro se articulam com as dinâmicas cognitivas, emocionais e sociais envolvidas na aprendizagem. Nesse contexto, a neurociência aplicada à educação emerge como uma possibilidade de qualificar as práticas pedagógicas a partir de evidências científicas sobre o funcionamento cerebral, especialmente no que se refere à atenção, memória, emoção e neuroplasticidade. O presente capítulo tem como objetivo discutir de que maneira tais evidências podem contribuir para a transformação das práticas pedagógicas na Educação Básica, evitando reducionismos e interpretações deterministas. A abordagem adotada é de natureza teórica, com base em revisão de literatura que articula autores da neurociência, da psicologia cognitiva e da educação. Parte-se do pressuposto de que o conhecimento sobre o cérebro não substitui os saberes pedagógicos, mas pode ampliá-los, desde que incorporado de forma crítica e contextualizada. Ao longo do texto, discute-se a importância da neuroplasticidade como fundamento da aprendizagem, o papel das emoções na consolidação das memórias e a relevância das funções executivas para o desenvolvimento de habilidades cognitivas complexas. Além disso, problematizam-se os chamados neuromitos e as simplificações que frequentemente acompanham a divulgação de conhecimentos neurocientíficos no campo educacional. Conclui-se que a contribuição da neurociência para a educação reside na possibilidade de oferecer subsídios para práticas mais conscientes, intencionais e coerentes com os processos de aprendizagem, desde que mediadas por uma perspectiva pedagógica crítica e ética.
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