HABITUS CULTURAL E OS PROCESSOS FORMATIVOS E PERFORMATIVOS NA INCLUSÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL EM ESPAÇOS CULTURAIS
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.048-014Palavras-chave:
Acessibilidade, Inclusão, Habitus, Narrativas (auto)biográficas, CulturaResumo
Este artigo analisa a acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência visual em espaços culturais a partir de uma perspectiva que ultrapassa uma compreensão de um conjunto necessários de adaptações técnicas, propondo entendê-la como experiência vivida inserida em processos mais amplos formativos e performativos. Partindo da crítica aos modelos tradicionais de inclusão, argumenta-se que práticas de acessibilidade e inclusão devem ser marcadas pela centralidade do olhar de quem vive essas experiências, e por disposições culturais específicas. Com base na noção de habitus (Bourdieu; Passeron, 1964; Bourdieu, 1998), evidenciam-se as dimensões sociais e simbólicas que condicionam o acesso e a participação de pessoas com deficiência visual nos espaços de arte e cultura. Em diálogo com abordagens (auto)biográficas, o artigo sustenta a importância das narrativas como forma de acessar as experiências dos sujeitos e compreender como constroem sentidos em contextos de inclusão e exclusão. Metodologicamente, trata-se de um estudo teórico-analítico que articula contribuições no campo da educação, como o conceito dos processos formativos e performativos (Gabriel, 2011), estudos da cultura, como o habitus cultural (Bourdieu; Passeron, 1964; Bourdieu, 1998), e as abordagens (auto)biográficas. Como contribuição, propõe-se um deslocamento da acessibilidade como recurso para a acessibilidade como prática relacional e co-construída, capaz de reconfigurar as experiências culturais a partir da pluralidade dos modos de percepção e interpretação.
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