O IMPACTO DO RASTREAMENTO TARDIO DE NEOPLASIAS FEMININAS NA APS: ANÁLISE A PARTIR DO PROTOCOLO DO MINISTÉRIO DA SAÚDE

Autores

  • Anna Beatriz de Oliveira Sousa Autor
  • Daionny Diniz de França Vasconcelos Autor
  • Glenda Paula Silva Borges Autor
  • Beto Cherles Coral Rodrigues Autor
  • Katelaine Maria Mantuam Autor
  • Ana Cristina Magalhães Mesquita Autor
  • Terciane Soares de Oliveira Autor
  • Bruna Angélica Strunkis Autor
  • Solange Pereira Glória Autor
  • Jairo Bastidas Autor

DOI:

https://doi.org/10.63330/aurumpub.021-009

Palavras-chave:

Atenção Primária à Saúde, Câncer de colo do útero, Câncer de mama, Diagnóstico precoce

Resumo

O rastreamento oportuno das neoplasias femininas constitui um dos pilares essenciais da Atenção Primária à Saúde (APS), sobretudo diante da elevada carga de morbimortalidade associada ao câncer de colo do útero e ao câncer de mama no Brasil. Apesar da existência de diretrizes consolidadas pelo Ministério da Saúde, que estabelecem critérios claros para periodicidade, grupos de risco e abordagem clínica, ainda se observa uma distância significativa entre as recomendações formais e a realidade da prática assistencial. O rastreamento tardio resulta, frequentemente, em diagnósticos em estágios avançados, maior complexidade terapêutica, custos elevados e desfechos desfavoráveis, evidenciando a necessidade de aprimoramento contínuo das estratégias de prevenção e vigilância em saúde. Entre os fatores que contribuem para a realização tardia dos exames, destacam-se barreiras estruturais, como insuficiência de recursos humanos, demandas assistenciais que sobrecarregam as equipes, fragilidades no agendamento de consultas e exames e limitações tecnológicas relacionadas ao registro e acompanhamento das usuárias. Soma-se a isso aspectos socioculturais que influenciam diretamente a busca por cuidado, incluindo baixa percepção de risco, medo do diagnóstico, desinformação, desigualdades de gênero e vulnerabilidades socioeconômicas, que restringem o acesso aos serviços de forma contínua e organizada. A articulação inadequada entre diferentes pontos da rede também compromete o fluxo diagnóstico, prolongando o tempo entre o rastreamento, a confirmação do caso e o início do tratamento. Do ponto de vista clínico e epidemiológico, o impacto do rastreamento tardio manifesta-se em aumento da incidência de casos avançados, redução das taxas de cura e maior ocorrência de sequelas físicas e psicossociais. Na APS, esse cenário reforça a importância de uma atuação proativa das equipes, com fortalecimento das ações de educação em saúde, busca ativa de mulheres em atraso, qualificação da escuta e integração eficaz com os serviços de média e alta complexidade. A adoção consistente das recomendações do Ministério da Saúde, especialmente no que diz respeito à periodicidade do exame citopatológico e à realização da mamografia para faixas etárias indicadas, revela-se crucial para reverter esse quadro. Em síntese, enfrentar o rastreamento tardio de neoplasias femininas exige ações coordenadas, sensíveis às vulnerabilidades territoriais, e um compromisso institucional contínuo com o cuidado integral, resolutivo e equitativo.

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Referências

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MINISTÉRIO DA SAÚDE. “Diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero: Parte I – rastreamento organizado utilizando testes moleculares para detecção de DNA-HPV oncogênico.” Brasília, 2024.

Publicado

2025-12-16

Como Citar

Sousa, A. B. de O., Vasconcelos, D. D. de F., Borges, G. P. S., Rodrigues, B. C. C., Mantuam, K. M., Mesquita, A. C. M., de Oliveira, T. S., Strunkis, B. A., Glória, S. P., & Bastidas, J. (2025). O IMPACTO DO RASTREAMENTO TARDIO DE NEOPLASIAS FEMININAS NA APS: ANÁLISE A PARTIR DO PROTOCOLO DO MINISTÉRIO DA SAÚDE. Aurum Editora, 102-109. https://doi.org/10.63330/aurumpub.021-009

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