O IMPACTO DO RASTREAMENTO TARDIO DE NEOPLASIAS FEMININAS NA APS: ANÁLISE A PARTIR DO PROTOCOLO DO MINISTÉRIO DA SAÚDE
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.021-009Palavras-chave:
Atenção Primária à Saúde, Câncer de colo do útero, Câncer de mama, Diagnóstico precoceResumo
O rastreamento oportuno das neoplasias femininas constitui um dos pilares essenciais da Atenção Primária à Saúde (APS), sobretudo diante da elevada carga de morbimortalidade associada ao câncer de colo do útero e ao câncer de mama no Brasil. Apesar da existência de diretrizes consolidadas pelo Ministério da Saúde, que estabelecem critérios claros para periodicidade, grupos de risco e abordagem clínica, ainda se observa uma distância significativa entre as recomendações formais e a realidade da prática assistencial. O rastreamento tardio resulta, frequentemente, em diagnósticos em estágios avançados, maior complexidade terapêutica, custos elevados e desfechos desfavoráveis, evidenciando a necessidade de aprimoramento contínuo das estratégias de prevenção e vigilância em saúde. Entre os fatores que contribuem para a realização tardia dos exames, destacam-se barreiras estruturais, como insuficiência de recursos humanos, demandas assistenciais que sobrecarregam as equipes, fragilidades no agendamento de consultas e exames e limitações tecnológicas relacionadas ao registro e acompanhamento das usuárias. Soma-se a isso aspectos socioculturais que influenciam diretamente a busca por cuidado, incluindo baixa percepção de risco, medo do diagnóstico, desinformação, desigualdades de gênero e vulnerabilidades socioeconômicas, que restringem o acesso aos serviços de forma contínua e organizada. A articulação inadequada entre diferentes pontos da rede também compromete o fluxo diagnóstico, prolongando o tempo entre o rastreamento, a confirmação do caso e o início do tratamento. Do ponto de vista clínico e epidemiológico, o impacto do rastreamento tardio manifesta-se em aumento da incidência de casos avançados, redução das taxas de cura e maior ocorrência de sequelas físicas e psicossociais. Na APS, esse cenário reforça a importância de uma atuação proativa das equipes, com fortalecimento das ações de educação em saúde, busca ativa de mulheres em atraso, qualificação da escuta e integração eficaz com os serviços de média e alta complexidade. A adoção consistente das recomendações do Ministério da Saúde, especialmente no que diz respeito à periodicidade do exame citopatológico e à realização da mamografia para faixas etárias indicadas, revela-se crucial para reverter esse quadro. Em síntese, enfrentar o rastreamento tardio de neoplasias femininas exige ações coordenadas, sensíveis às vulnerabilidades territoriais, e um compromisso institucional contínuo com o cuidado integral, resolutivo e equitativo.
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Referências
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