ONDE SE VIVE, COMO SE ADOECE: FATORES SOCIAIS E TERRITORIAIS ASSOCIADOS AO AVC NO BRASIL
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.061-033Palavras-chave:
Acidente Vascular Cerebral, Desigualdades em saúde, Determinantes sociais da saúde, Mortalidade, TerritórioResumo
Este capítulo discute os fatores sociais e territoriais associados à ocorrência e à mortalidade por acidente vascular cerebral (AVC) no Brasil, com ênfase nas desigualdades socioeconômicas, raciais, regionais e de acesso aos serviços de saúde. Trata-se de um estudo de natureza teórico-reflexiva, estruturado a partir de revisão narrativa de literatura científica recente e de documentos institucionais relevantes, incluindo estudos epidemiológicos brasileiros, análises espaciais e relatórios internacionais sobre determinantes sociais da saúde. A síntese evidencia que o AVC permanece como importante problema de saúde pública no país, mesmo diante de reduções parciais de mortalidade em séries históricas, e que sua distribuição acompanha clivagens de renda, escolaridade, raça/cor, envelhecimento populacional, infraestrutura sanitária e acessibilidade territorial ao cuidado. Os achados indicam que municípios e regiões com piores indicadores socioeconômicos tendem a apresentar maiores taxas de mortalidade, enquanto barreiras geográficas, urbanas e organizacionais limitam o acesso oportuno ao manejo do evento agudo. Além disso, desigualdades na oferta de serviços especializados, na mobilidade urbana e na qualidade da informação em saúde reforçam a persistência de iniquidades nos desfechos. Conclui-se que a redução da carga do AVC no Brasil depende da articulação entre prevenção de fatores de risco, fortalecimento da atenção primária, regionalização da atenção às urgências, qualificação dos sistemas de informação e enfrentamento estrutural das desigualdades sociais e territoriais. A análise reafirma a centralidade do SUS como política redistributiva e destaca a necessidade de incorporar a equidade como eixo organizador das linhas de cuidado do AVC.
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