DO DESABRIGO AO ACONCHEGO: O USO DOS OBJETOS TRANSICIONAIS NA CLÍNICA DAS ADICÇÕES
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.058-007Palavras-chave:
Aconchego, Objeto, Adicto, Transicional, SelfResumo
O estudo analisa a função psíquica assumida pelo objeto-droga na experiência subjetiva, a partir da teoria dos objetos e fenômenos transicionais de Donald W. Winnicott, investigando suas possíveis articulações com a clínica das adicções. Trata-se de uma pesquisa teórica, de natureza qualitativa, desenvolvida por meio de revisão bibliográfica. A investigação reuniu e analisou vinte e três produções, entre obras de Winnicott, artigos científicos, capítulos de livros e materiais acadêmicos selecionados a partir dos descritores adicção, objeto adicto, transicionalidade, Winnicott, toxicomania, drogadição e brincar. Os resultados indicam que, em determinadas configurações clínicas, a relação com o objeto-droga pode operar como tentativa de enfrentar experiências de desamparo, falhas ambientais precoces e dificuldades nos processos de amadurecimento emocional. Identificou-se que o investimento no objeto adicto pode assumir funções de acolhimento, ilusão, continuidade de ser e sustentação psíquica, ainda que de modo precário, repetitivo e potencialmente destrutivo. Conclui-se que a aproximação entre a clínica das adicções e a teoria winnicottiana dos fenômenos transicionais contribui para uma compreensão menos moralizante e reducionista do fenômeno adictivo, favorecendo uma escuta clínica atenta à singularidade do sujeito e às funções subjetivas atribuídas ao objeto-droga.
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