“ESSA COCA É FANTA. E DAÍ?": CONSUMO E REPRESENTATIVIDADE SOCIAL À LUZ DA CONSUMER CULTURE THEORY E DA PESQUISA TRANSFORMATIVA DO CONSUMIDOR

Autores

  • Wanderklayson Aparecido Medeiros de Oliveira Autor

DOI:

https://doi.org/10.63330/aurumpub.063-005

Palavras-chave:

Consumer Culture Theory, LGBTQIAPN+, Pesquisa Transformativa do Consumidor, Representatividade, Transformação social

Resumo

A presente pesquisa analisa a campanha "Essa Coca é Fanta. E daí?", desenvolvida pela Coca-Cola Brasil em celebração ao Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+, à luz da Consumer Culture Theory (CCT) e da Pesquisa Transformativa do Consumidor (PTC). O objetivo foi compreender de que maneira uma ação de comunicação mercadológica pode contribuir para a construção de significados relacionados à diversidade sexual, ao reconhecimento social e à transformação cultural. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa fundamentada no paradigma interpretativista, utilizando netnografia, análise documental e midiática. O corpus foi composto por 28 materiais coletados entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026, incluindo a peça oficial da campanha, reportagens, publicações especializadas e conteúdos digitais relacionados à sua repercussão. Os dados foram analisados por meio da Análise de Conteúdo, proposta por Bardin (2016), e da Análise do Discurso, baseada em Orlandi (2009). Os resultados evidenciaram quatro categorias analíticas: (i) ressignificação de uma expressão historicamente associada à homofobia; (ii) representatividade LGBTQIAPN+ e construção de reconhecimento social; (iii) disputas discursivas e repercussões da campanha nos ambientes digitais; e (iv) comunicação de marcas, bem-estar e transformação social. Os achados demonstram que a campanha ultrapassou os limites da publicidade tradicional ao transformar uma expressão historicamente utilizada de forma pejorativa em uma narrativa de orgulho, diversidade e inclusão. Além disso, evidenciam o papel das marcas como agentes culturais capazes de participar da circulação e ressignificação de significados culturais, da ampliação da visibilidade de grupos historicamente marginalizados e da promoção de debates públicos sobre diversidade sexual. Como contribuição teórica, o estudo fortalece as interlocuções entre a Consumer Culture Theory e a Pesquisa Transformativa do Consumidor, ampliando a compreensão acerca do potencial das práticas de mercado para promover reconhecimento social, inclusão e transformação cultural.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Referências

Andreasen, A. R., Goldberg, M. E., & Sirgy, M. J. (2012). Foundational research on consumer welfare: Opportunities for transformative consumer research. In D. G. Mick, S. Pettigrew, C. Pechmann, & J. L. Ozanne (Eds.), Transformative consumer research for personal and collective well-being (pp. 25–46). Routledge.

Arnould, E. J. (2006). Consumer Culture Theory: Retrospective and prospect. Research in Consumer Behavior, 11, 1–28.

Arnould, E. J., & Thompson, C. J. (2005). Consumer Culture Theory (CCT): Twenty years of research. Journal of Consumer Research, 31(4), 868–882.

Ássimos, B. M., Almeida, G. T., Batinga, G. L., & Pinto, M. R. (2019). A construção de tecnologias sociais como produto das pesquisas transformativas do consumidor: Uma inspiração psicossociológica. Gestão & Sociedade, 13(34), 2710–2735.

Baker, S. M., Gentry, J. W., & Rittenburg, T. L. (2005). Building understanding of the domain of consumer vulnerability. Journal of Macromarketing, 25(2), 128–139.

Baker, S. M., & Mason, M. (2012). Toward a process theory of consumer vulnerability and resilience. In D. G. Mick, S. Pettigrew, C. Pechmann, & J. L. Ozanne (Eds.), Transformative consumer research for personal and collective well-being. Routledge.

Bardin, L. (2016). Análise de conteúdo. Edições 70.

Bastos, G. G., Garcia, D. A., & Sousa, L. M. A. (2017). A homofobia em discurso: Direitos humanos em circulação. Linguagem em (Dis)curso, 17(1), 11–24.

Belk, R. W. (1988). Possessions and the extended self. Journal of Consumer Research, 15(2), 139–168.

Borrillo, D. (2010). Homofobia: História e crítica de um preconceito. Autêntica.

Castells, M. (2018). Ruptura: A crise da democracia liberal. Zahar.

Coelho, P. F. C. (2015). A pesquisa transformativa do consumidor: Reflexões e diretrizes para pesquisadores brasileiros. Economia & Gestão, 15(40), 4–27.

Coca-Cola Brasil. (2017). Essa Coca é Fanta. E daí? [Campanha institucional]. YouTube. https://www.youtube.com/watch?v=aiyoy2A7kPo

Costa, F. J. (2015). Marketing e sociedade. Editora UFPB.

Davis, B., Ozanne, J. L., & Hill, R. P. (2016). The transformative consumer research movement. Journal of Public Policy & Marketing, 35(2), 159–169.

Denzin, N. K., & Lincoln, Y. S. (2018). The Sage handbook of qualitative research (5th ed.). Sage.

Dondis, D. A. (2007). Sintaxe da linguagem visual. Martins Fontes.

Gaião, B. F. S., Souza, I. L., & Leão, A. L. M. S. (2012). Consumer Culture Theory (CCT) já é uma escola de pensamento em marketing? Revista de Administração de Empresas, 52(3), 330–344.

Grupo Gay da Bahia. (2025). Observatório de mortes e violências contra LGBTQIA+ no Brasil: Relatório anual 2024. Grupo Gay da Bahia.

Hill, R. P., & Stephens, D. L. (1997). Impoverished consumers and consumer behavior: The case of AFDC mothers. Journal of Macromarketing, 17(2), 32–48.

Holt, D. B. (2002). Why do brands cause trouble? A dialectical theory of consumer culture and branding. Journal of Consumer Research, 29(1), 70–90.

Koehler, S. M. F. (2013). Homofobia, cultura e violências: A desinformação social. Interacções, 9(26), 129–152.

Kotler, P., & Lee, N. R. (2008). Social marketing: Influencing behaviors for good. Sage.

Kozinets, R. V. (2014). Netnografia: Realizando pesquisa etnográfica online. Penso.

Leite, R. S., Pinto, M. R., Teixeira, D. J., Joaquim, A. M., & Andrade, M. L. (2015). “Mocinho” ou “bandido”? O marketing e suas relações com a sociedade no “fio da navalha”. Economia & Gestão, 15(40), 251–275.

McCracken, G. (2003). Cultura e consumo: Novas abordagens ao caráter simbólico dos bens e das atividades de consumo. Mauad.

Menezes, M. S., & Silva, J. P. (2017). Serviço social e homofobia: A construção de um debate desafiador. Revista Katálysis, 20(1), 122–129.

Mick, D. G., Pettigrew, S., Pechmann, C., & Ozanne, J. L. (Eds.). (2012). Transformative consumer research for personal and collective well-being. Routledge.

Mugnaini, H. K. C. S. (2018). Comunicação interna e ativismo cidadão: Estudo de caso da campanha “Essa Coca é Fanta, e daí?”. Comunicação Pública, 13(25).

Murray, J. B., & Ozanne, J. L. (1991). The critical imagination: Emancipatory interests in consumer research. Journal of Consumer Research, 18(2), 129–144.

Oliveira, W. A. M., & Pinto, M. R. (2023). Consumer Culture Theory e Assemblage Theory: Interlocuções e proposta de uma agenda de pesquisa. Revista Alcance, 30(1), 98–114.

Orlandi, E. P. (2009). Análise de discurso: Princípios e procedimentos (8. ed.). Pontes.

Ozanne, J. L., & Saatcioglu, B. (2008). Participatory action research. Journal of Consumer Research, 35(3), 423–439.

Pinto, M. R., Batinga, G. L., Ássimos, B. M., & Almeida, G. T. (2016). Transformative consumer research: Reflexões, diretrizes e uma análise do campo no Brasil. Revista Interdisciplinar de Marketing, 6(2), 54–66.

Pinto, M. R., & Lara, J. E. (2011). As experiências de consumo na perspectiva da teoria da cultura do consumo (CCT): Uma agenda de pesquisa. Revista Organizações em Contexto, 7(14), 11–33.

Piovesan, F. (2008). Ações afirmativas no Brasil: Desafios e perspectivas. Revista Estudos Feministas, 16(3), 887–896.

Santos, H. L. (2025). Análise tradutória e cultural da campanha “Essa Coca é Fanta, e daí?”: Estratégias de localização para a língua inglesa (Dissertação de mestrado). Universidade Federal de Santa Catarina.

Siqueira, M. V. S., Ferreira, R. C., & Zauli-Fellows, A. (2006). Gays no ambiente de trabalho: Uma agenda de pesquisa. In Anais do Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (EnANPAD). Salvador, BA, Brasil.

Siqueira, M. V. S., & Zauli-Fellows, A. (2006). Diversidade e identidade gay nas organizações. Gestão & Planejamento, 7(14), 69–81.

Thompson, C. J. (2004). Marketplace mythology and discourses of power. Journal of Consumer Research, 31(1), 162–180.

Vera, L. A. R., Gosling, M., & Shigaki, H. B. (2019). Consumer Culture Theory: Evolução, principais temas e contribuições para os estudos do consumo. Revista Gestão & Tecnologia, 19(3), 158–182.

Downloads

Publicado

2026-06-25

Como Citar

de Oliveira, W. A. M. (2026). “ESSA COCA É FANTA. E DAÍ?": CONSUMO E REPRESENTATIVIDADE SOCIAL À LUZ DA CONSUMER CULTURE THEORY E DA PESQUISA TRANSFORMATIVA DO CONSUMIDOR. Aurum Editora (e-Books), 48-79. https://doi.org/10.63330/aurumpub.063-005

Publicações do mesmo autor