NOS BASTIDORES DA LIMPEZA: MEMÓRIAS E ESCOLARIZAÇÃO DE MULHERES TERCEIRIZADAS EM INSTITUIÇÕES DE ENSINO
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.046-011Palavras-chave:
Educação de Jovens e Adultos, Terceirização, Trabalho feminino, Invisibilidade socialResumo
O estudo teve como objetivo compreender como mulheres terceirizadas da limpeza em instituições de ensino superior constroem sentidos acerca da educação, das suas trajetórias escolares e o próprio direito de aprender, a partir de memórias e experiências de vida, evidenciando processos de invisibilidade social e educacional que atravessam gênero, raça e classe. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, fundamentada em revisão bibliográfica de produções acadêmicas sobre Educação de Jovens e Adultos (EJA), terceirização e trabalho feminino, articulada a referenciais teóricos críticos, como Paulo Freire, Karl Marx, Silvia Federici e Pierre Bourdieu, além da análise de narrativas e estudos empíricos que exploram experiências de trabalhadoras terceirizadas em diferentes universidades brasileiras .Os resultados evidenciaram que essas mulheres, majoritariamente negras e com trajetórias marcadas por interrupções escolares, enfrentam condições de trabalho precarizadas, jornadas exaustivas e dupla ou tripla carga laboral, fatores que dificultam o acesso e a permanência na educação formal, ao mesmo tempo em que reforçam sua invisibilidade no espaço acadêmico, onde são reconhecidas apenas como prestadoras de serviço e não como sujeitos educacionais .Observou-se ainda que, apesar dessas adversidades, persistem desejos de retomada dos estudos e estratégias de resistência, indicando a centralidade da educação como possibilidade de transformação social e projeção de futuro . Conclui-se que as instituições de ensino reproduzem contradições ao defenderem a democratização do acesso enquanto excluem simbolicamente essas trabalhadoras, sendo necessário repensar políticas institucionais e públicas que garantam condições reais de acesso à educação, valorização do trabalho e reconhecimento dessas mulheres como sujeitos de direito, contribuindo para a superação das desigualdades estruturais que sustentam sua invisibilidade.
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