LESÕES CERVICAIS NÃO CARIOSAS: INFLUÊNCIA DOS FATORES OCLUSAIS, BIOMECÂNICOS E QUÍMICOS NA PROGRESSÃO DAS LESÕES
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.068-013Palabras clave:
Abfração, Biomecânica, Erosão dentária, Estresse oclusal, Lesões cervicais não cariosasResumen
As lesões cervicais não cariosas (LCNCs) caracterizam-se pela perda irreversível de estrutura dental mineralizada na região próxima à junção amelocementária, ocorrendo sem o envolvimento da etiologia cariosa. Esta revisão integrativa teve como objetivo analisar a influência dos fatores oclusais, biomecânicos e químicos no surgimento, padrão morfológico e progressão das LCNCs. A metodologia abrangeu a busca e síntese de evidências provenientes de ensaios clínicos, investigações observacionais, simulações computadorizadas por elementos finitos (in silico), ensaios biomecânicos laboratoriais (3D-DIC e micro-CT) e exames morfológicos de alta resolução (OCT e estereomicroscopia). Os resultados sustentam a natureza essencialmente multifatorial da patologia, resultante da interação sinérgica entre a biocorrosão/erosão química, o desgaste mecânico friccional por abrasão e a concentração de estresse biomecânico decorrente de cargas oclusais. Embora modelos computacionais e laboratoriais demonstrem que forças oclusais excêntricas ou oblíquas geram elevados picos de tensão mecânica na região cervical e induzem microtrincas subsuperficiais na dentina — com maior susceptibilidade nos pré-molares —, investigações clínicas observacionais apontam a ausência de evidências prospectivas conclusivas que estabeleçam uma relação de causalidade direta e isolada entre parâmetros oclusais e o aparecimento das lesões. Diante dessa incerteza clínica, consensos internacionais descontinuaram o uso do termo "abfração" como diagnóstico primário independente. A degradação química por ácidos intrínsecos e extrínsecos atua reduzindo a microdureza tecidual e acelerando o desgaste mecânico secundário. Conclui-se que o manejo das LCNCs requer diagnóstico precoce e abordagens preventivas voltadas ao controle das causas subjacentes, reservando-se a intervenção restauradora para casos com hipersensibilidade dentinária persistente, comprometimento estético ou perda estrutural severa.
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