ATUAÇÃO DO CIRURGIÃO-DENTISTA NO MANEJO PROFILÁTICO DA ENDOCARDITE INFECCIOSA PRÉ-EXODONTIA: UMA REVISÃO INTEGRATIVA
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.061-047Palavras-chave:
Endocardite Infecciosa, Extração Dentária, Odontologia, Prática Clínica Baseada em Evidências, Profilaxia AntibióticaResumo
A endocardite infecciosa é uma infecção sistêmica grave com alta letalidade, frequentemente associada à bacteremia transitória induzida por procedimentos odontológicos invasivos, com destaque clínico para as exodontias. Esta revisão integrativa teve como objetivo analisar as evidências científicas disponíveis sobre a eficácia da profilaxia antibiótica pré-exodontia e o papel fundamental do cirurgião-dentista no seu manejo preventivo. A literatura revela uma escassez histórica de ensaios clínicos randomizados para comprovar ou refutar a eficácia dessa prática, o que é justificado por barreiras logísticas e éticas consideradas intransponíveis, forçando as diretrizes a se basearem majoritariamente em estudos observacionais. Os dados contemporâneos demonstram que, após procedimentos dentários, ocorre uma mudança drástica no perfil etiológico da doença, com os estreptococos do grupo viridans tornando-se os patógenos causadores predominantes na grande maioria dos casos analisados. Embora existam nítidas divergências conceituais entre as maiores diretrizes mundiais – que variam desde a prescrição restrita a grupos extremamente vulneráveis até o abandono total da cobertura medicamentosa na odontologia –, metanálises recentes indicam que o uso da profilaxia em indivíduos classificados como de alto risco cardíaco previne o desenvolvimento de infecções pós-cirúrgicas. Em contrapartida, a prescrição empírica, rotineira e indiscriminada para pacientes sem indicação formal expõe a população ao risco de reações adversas medicamentosas e contribui ativamente para o agravamento da resistência antimicrobiana global, além de não apresentar uma relação de custo-efetividade favorável. Conclui-se que a profilaxia antibiótica é uma intervenção terapêutica válida e necessária, mas que exige do cirurgião-dentista uma atuação não dogmática e estritamente fundamentada na prática baseada em evidências, guiando a tomada de decisão por meio da correta estratificação do risco sistêmico de cada paciente.
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Referências
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