A INTERFACE ENTRE DIABETES MELLITUS, TERAPIAS ANTIRREABSORTIVAS E OSTEONECROSE DOS MAXILARES
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.068-003Palavras-chave:
Bifosfonatos, Cicatrização Refratária, Diabetes Mellitus, Equipe Multidisciplinar, Osteonecrose dos Maxilares Relacionada a MedicamentosResumo
A Osteonecrose dos Maxilares Relacionada a Medicamentos (OMAM) constitui uma complicação debilitante associada ao uso de terapias antirreabsortivas e antiangiogênicas. O objetivo deste estudo foi analisar, por meio de uma revisão integrativa da literatura, a interface entre o Diabetes Mellitus (DM), as terapias antirreabsortivas e o desenvolvimento ou refratariedade da osteonecrose dos maxilares, identificando os mecanismos fisiopatológicos compartilhados e as repercussões clínicas dessa associação. Os resultados apontam que, embora o diagnóstico formal e isolado de DM não se configure como um fator de risco independente com significância estatística devido ao viés da idade avançada, o estado de descontrole glicêmico (hiperglicemia patológica com glicemia de jejum >200 mg/dL) atua como um preditor crucial de gravidade, progressão e refratariedade das lesões. Fisiopatologicamente, a hiperglicemia crônica promove isquemia microvascular e disfunção endotelial (através da redução de VEGF e VEGFR2), além do acúmulo de produtos finais de glicação avançada (AGEs), que prejudicam a adesão osteoblástica e induzem apoptose celular sinérgica na presença de bifosfonatos. Na população geriátrica, o DM eleva em cinco vezes o risco de cicatrização refratária pós-operatória, probabilidade que se eleva para quase oito vezes quando associada à corticoterapia sistêmica crônica. Estratégias preventivas e adjuvantes, como a aplicação de Fibrina Rica em Plaquetas (PRF) profilática em alvéolos de extração (alcançando 96% de cicatrização fisiológica normal), a fotobiomodulação a laser, a terapia fotodinâmica e a manutenção de níveis séricos adequados de Vitamina D, demonstram papel determinante na redução de falhas cicatriciais. Conclui-se que o manejo metabólico rigoroso do perfil glicêmico e a implementação de protocolos preventivos odontológicos, conduzidos por uma equipe multidisciplinar antes e durante o tratamento antirreabsortivo, são fundamentais para minimizar a ocorrência de OMAM e assegurar a reabilitação dos pacientes sob risco.
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