CLIMATÉRIO E FEMINILIDADE: REARRANJOS IDENTIFICATÓRIOS E REPOSICIONAMENTOS SUBJETIVOS
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.061-030Palabras clave:
Climatério, Corpo, Feminilidade, Psicanálise, SubjetividadeResumen
O climatério constitui uma experiência que ultrapassa suas dimensões orgânicas, incidindo sobre a relação das mulheres com o corpo, a sexualidade, os ideais de feminilidade e as formas de reconhecimento de si. Este estudo teórico, de abordagem qualitativa, desenvolvido por meio de revisão bibliográfica teórico-interpretativa não sistemática e análise de vinheta clínica, analisa as reconfigurações da feminilidade no climatério à luz da psicanálise. O trabalho articula contribuições de Sigmund Freud e Jacques Lacan, especialmente as formulações sobre castração, identificações, sexuação e lógica do não-todo, a partir de uma vinheta clínica construída com base em elementos recorrentes da prática psicológica e com dados modificados para preservar o anonimato. A pesquisa buscou compreender de que modo as transformações corporais e a suspensão da função reprodutiva podem tensionar identificações e ideais narcísicos associados à maternidade, ao cuidado, à juventude e à imagem corporal, bem como investigar possibilidades de rearranjos identificatórios e reposicionamentos subjetivos diante dessas transformações. Os resultados indicam que os efeitos do climatério não são universais nem decorrem diretamente de alterações fisiológicas, pois dependem da história singular e dos significantes que organizam os investimentos de cada sujeito. Conclui-se que o climatério pode constituir um tempo de inflexão subjetiva, favorecendo deslocamentos libidinais, novas formas de relação com o desejo, com o corpo e com o gozo, e ampliando a escuta clínica para além de perspectivas exclusivamente biomédicas.
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