DO VERDE AO SEGURO: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DO PAPEL DOS ESPAÇOS VERDES URBANOS NA RECONFIGURAÇÃO DO RISCO CRIMINAL EM CIDADES DO CERRADO BRASILEIRO
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.037-008Palabras clave:
Criminologia ambiental, Prevenção situacional do crime, Infraestrutura urbana, Desigualdade socioespacial, Justiça socioambientalResumen
A crescente urbanização tem intensificado desafios relacionados à segurança pública e à qualidade ambiental, impulsionando o interesse por soluções integradas que articulem infraestrutura verde e planejamento urbano. Nesse contexto, os espaços verdes urbanos emergem como elementos estratégicos, capazes de influenciar tanto a dinâmica da criminalidade quanto a percepção de segurança da população. No entanto, a literatura apresenta resultados divergentes quanto ao papel desses espaços, ora associados à redução de crimes, ora à potencialização de riscos, especialmente em função de suas características físicas e do contexto socioespacial em que se inserem. O estudo teve como objetivo analisar, por meio de uma revisão sistemática baseada no protocolo PRISMA, o papel da arborização urbana e dos espaços verdes na reconfiguração do risco criminal, com ênfase em contextos urbanos e lacunas relacionadas a regiões tropicais, como o Cerrado brasileiro. A estratégia metodológica contemplou buscas nas bases Web of Science, Scopus, ScienceDirect e SpringerLink, utilizando descritores relacionados à infraestrutura verde, criminalidade e criminologia ambiental. Foram aplicados critérios de inclusão e exclusão previamente definidos, resultando em um corpus final de estudos analisados qualitativamente por meio da Análise de Conteúdo. Os resultados evidenciaram uma tendência crescente da produção científica, com predominância de estudos em países do Norte Global e uso intensivo de métodos espaciais e quantitativos, como sensoriamento remoto, SIG e modelos econométricos. A análise revelou que os espaços verdes urbanos exercem, predominantemente, um efeito protetor sobre a criminalidade, ao favorecer a vigilância natural, o uso social e a coesão comunitária. Entretanto, também foram identificados efeitos criminógenos associados a ambientes com baixa iluminação, isolamento e configuração inadequada da vegetação. A triangulação dos achados confirmou pressupostos da criminologia ambiental, especialmente no que se refere à influência do ambiente físico na ocorrência do crime, bem como a efetividade de intervenções baseadas em princípios de desenho ambiental. Conclui-se que a infraestrutura verde urbana atua como um elemento modulador do risco criminal, cujo impacto depende de sua qualidade, gestão e integração ao tecido urbano. Os resultados reforçam a necessidade de planejamento urbano orientado por evidências, incorporando princípios de visibilidade, acessibilidade e manutenção. Além disso, destaca-se a lacuna de estudos em contextos tropicais, indicando a importância de pesquisas futuras no Cerrado e em regiões com características socioambientais semelhantes, a fim de subsidiar políticas públicas mais eficazes e contextualizadas.
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