A IMAGEM EM RUÍNA: DE GOYA À ARTE CONTEMPORÂNEA: O FEIO COMO VERDADE HISTÓRICA
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.051-004Palabras clave:
Feio, Estética, História, Francisco de GoyaResumen
O artigo investiga a emergência da “imagem em ruína” como condição histórica da representação artística, compreendendo o feio não como negação do belo, mas como sua crise e forma crítica. Partindo da tradição clássica, em que beleza, ordem e razão estruturavam o regime do visível, o estudo analisa a progressiva desestabilização desse paradigma ao longo da história, passando pela Idade Média, Renascimento e Idade Moderna. Nesse percurso, a obra de Francisco de Goya é situada como ponto de inflexão decisivo, ao transformar o feio em linguagem de verdade histórica e ao inaugurar uma visualidade marcada pela fratura, pela violência e pela impossibilidade de reconciliação estética. O artigo demonstra que, na arte moderna e contemporânea, a fragmentação, o grotesco e o disforme deixam de ser desvios para se tornarem operadores críticos, capazes de expor as contradições históricas e resistir à estetização da violência. A partir de um diálogo com autores como Adorno, Benjamin, Didi-Huberman e Eco, argumenta-se que a imagem já não organiza o mundo, mas o interrompe, tornando visível aquilo que os regimes tradicionais de beleza tendiam a ocultar. Por fim, o texto problematiza o estatuto do feio na contemporaneidade, questionando sua eficácia crítica em um contexto marcado pela estetização generalizada do horror.
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