CEFALEIA POR USO CRÔNICO DE MEDICAMENTOS: MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS, DIAGNÓSTICO E MANEJO

Autores/as

  • Francisco Pereira de Oliveira Filho Autor
  • Raul Quintão de Almeida Autor
  • Diogenes Alexandre da Costa Lopes Autor
  • Regiany Carvalho Faustino Autor
  • Camila Silva Rosendo Autor
  • Jamim Hannael dos Santos Martins Autor
  • Marina Alves de Camargo Pereira Autor
  • Matheus Rattes Villaça Autor
  • Edlon Luiz Lamounier Júnior Autor

DOI:

https://doi.org/10.63330/aurumpub.036-041

Palabras clave:

Cefaleia crônica, Abuso de analgésicos, Enxaqueca, Farmacodependência, Dor crônica

Resumen

A cefaleia por uso crônico de medicamentos (CUCM), também denominada cefaleia por uso excessivo de medicação, constitui uma entidade nosológica classificada como cefaleia secundária na Classificação Internacional das Cefaleias (ICHD-3). Trata-se de uma condição de elevada prevalência na prática neurológica, com impacto significativo na funcionalidade, qualidade de vida e custos em saúde, sendo frequentemente subdiagnosticada e manejada de forma inadequada. Essa condição decorre do uso regular, frequente e prolongado de fármacos sintomáticos para alívio da dor, incluindo analgésicos simples, anti-inflamatórios não esteroides, triptanos, ergotamínicos, opioides e combinações contendo cafeína. O uso excessivo é definido, em geral, pela utilização desses medicamentos por mais de 10 a 15 dias ao mês, por um período superior a três meses, dependendo da classe farmacológica. Paradoxalmente, tais fármacos, inicialmente empregados para controle da cefaleia, passam a atuar como fator perpetuador da dor, promovendo sua cronificação. Do ponto de vista clínico, a CUCM caracteriza-se pela presença de cefaleia em 15 ou mais dias por mês, frequentemente com padrão diário ou quase diário, intensidade variável e características fenotípicas mistas, podendo simular ou sobrepor aspectos de cefaleia do tipo tensional e enxaqueca. Habitualmente, acomete indivíduos com história prévia de cefaleia primária, especialmente migrânea, nos quais ocorre transformação para um padrão crônico. Sintomas associados como náuseas, fotofobia, fonofobia, distúrbios do sono, irritabilidade e prejuízo cognitivo são comuns, frequentemente associados a comorbidades psiquiátricas, como transtornos de ansiedade e depressão. A fisiopatologia envolve mecanismos complexos e ainda não completamente elucidados, incluindo sensibilização central, disfunção dos sistemas moduladores descendentes da dor, alterações nos sistemas serotoninérgico e dopaminérgico, além de componentes comportamentais relacionados à dependência medicamentosa. Tais alterações contribuem para a redução do limiar nociceptivo e manutenção do ciclo de dor crônica.Diante desse cenário, o reconhecimento precoce da CUCM é fundamental e baseia-se em anamnese detalhada, com ênfase no padrão de uso medicamentoso, e na aplicação dos critérios diagnósticos estabelecidos. O manejo terapêutico requer abordagem estruturada e multidisciplinar, centrada na suspensão do agente causal, introdução de terapias profiláticas para a cefaleia primária subjacente e intervenções não farmacológicas, como terapia cognitivo-comportamental. A educação do paciente e a racionalização do uso de medicamentos são pilares essenciais para prevenção de recaídas e otimização dos desfechos clínicos.

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Referencias

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Publicado

2026-03-27

Cómo citar

de Oliveira Filho, F. P., de Almeida, R. Q., Lopes, D. A. da C., Faustino, R. C., Rosendo, C. S., Martins, J. H. dos S., Pereira, M. A. de C., Villaça, M. R., & Lamounier Júnior, E. L. (2026). CEFALEIA POR USO CRÔNICO DE MEDICAMENTOS: MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS, DIAGNÓSTICO E MANEJO. Aurum Editora, 394-406. https://doi.org/10.63330/aurumpub.036-041

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