“CORTEM-LHE A CABEÇA!’”: QUANDO O PODER FEMININO SE TORNA TRANSGRESSÃO
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.018-029Palavras-chave:
Alice no País das Maravilhas, Gênero, Poder, Rainha de Copas, Tim BurtonResumo
Este capítulo analisa a representação da Rainha de Copas no filme Alice no País das Maravilhas (2010), de Tim Burton, como figura simbólica das tensões entre gênero, poder e autoridade. A partir da releitura cinematográfica da obra de Lewis Carroll, o estudo examina como foi construído o imaginário do País das Maravilhas sob a ótica das sensibilidades contemporâneas, marcadas pela fragmentação identitária e pela estetização do exagero. Nessa perspectiva, a Rainha de Copas deixa de ser uma simples caricatura da tirania para se tornar uma metáfora do medo social diante da mulher que ocupa o espaço do comando. Sua desmedida, sua teatralidade e sua violência hiperbólica são compreendidas como paródias críticas das estruturas patriarcais de poder, revelando o modo como o feminino soberano continua a ser representado como ameaça à ordem simbólica. Assim, Burton transforma a vilania da Rainha em um espelho distorcido das próprias lógicas autoritárias que pretende satirizar, articulando estética e política na construção de um discurso visual sobre o poder e a diferença. O capítulo, portanto, propõe uma leitura do filme como dispositivo hermenêutico capaz de repensar os limites entre autoridade e subversão, reafirmando o potencial crítico do cinema enquanto linguagem de gênero.
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