“CORTEM-LHE A CABEÇA!’”: QUANDO O PODER FEMININO SE TORNA TRANSGRESSÃO

Autores

  • Lucas Matheus Araujo Bicalho Autor
  • Sarah Carine Gomes Aragão Autor
  • Igor Fernando de Queiroz Souto Autor
  • Fabyo Hennrique Rabelo Feitosa Autor
  • George Saymon Silva de Freitas Autor
  • Lílian Soares Silva Autor
  • Paula Poliana Campos Autor
  • Fábio Natan Leal Moura Autor
  • Henrique Petrucci Marques Autor
  • Jéssica Fagundes Sales Autor

DOI:

https://doi.org/10.63330/aurumpub.018-029

Palavras-chave:

Alice no País das Maravilhas, Gênero, Poder, Rainha de Copas, Tim Burton

Resumo

Este capítulo analisa a representação da Rainha de Copas no filme Alice no País das Maravilhas (2010), de Tim Burton, como figura simbólica das tensões entre gênero, poder e autoridade. A partir da releitura cinematográfica da obra de Lewis Carroll, o estudo examina como foi construído o imaginário do País das Maravilhas sob a ótica das sensibilidades contemporâneas, marcadas pela fragmentação identitária e pela estetização do exagero. Nessa perspectiva, a Rainha de Copas deixa de ser uma simples caricatura da tirania para se tornar uma metáfora do medo social diante da mulher que ocupa o espaço do comando. Sua desmedida, sua teatralidade e sua violência hiperbólica são compreendidas como paródias críticas das estruturas patriarcais de poder, revelando o modo como o feminino soberano continua a ser representado como ameaça à ordem simbólica. Assim, Burton transforma a vilania da Rainha em um espelho distorcido das próprias lógicas autoritárias que pretende satirizar, articulando estética e política na construção de um discurso visual sobre o poder e a diferença. O capítulo, portanto, propõe uma leitura do filme como dispositivo hermenêutico capaz de repensar os limites entre autoridade e subversão, reafirmando o potencial crítico do cinema enquanto linguagem de gênero.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Referências

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS (Alice in Wonderland). Direção: Tim Burton. Estados Unidos: Walt Disney Pictures; Roth Films; The Zanuck Company; Team Todd, 2010. Filme, 108 min.

BAKHTIN, Mikhail. A cultura popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais. São Paulo: Hucitec, 1987.

BEAUVOIR, Simone de. O segundo sexo: fatos e mitos. Tradução de Sérgio Milliet. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980.

BENETI, Natacha Amanda; CIPRIANI, Cristian. ANÁLISE SEMIÓTICA DA COR NO FILME ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS (2010). Humanidades & Inovação, v. 3, n. 3, 2016.

BICALHO, Lucas Matheus Araujo; ALVES, Luís Fernando de Souza; PEREIRA, Mauricio Alves de Souza. Entre Páginas e Cicatrizes: a violência contra a mulher em O Peso do Pássaro Morto e no cotidiano brasileiro. História em Revista, v. 30, n. 2, p. 76-91, 30 jul. 2025.

BICALHO, Lucas Matheus Araujo. “Boas moças não matam?”: Uma análise de gênero sobre os casos Richthofen e Matsunaga na mídia brasileira . Revista Terceiro Incluído, Goiânia, v. 15, n. 1, p. e15117, 2025a. DOI: 10.5216/teri.v15i1.82556. Disponível em: https://revistas.ufg.br/teri/article/view/82556. Acesso em: 11 nov. 2025.

BICALHO, Lucas Matheus Araujo. Úrsula, a vilã subversiva: gênero, poder e estereótipos na construção da personagem de A pequena sereia (1989). Revista Multidisciplinar, [S. l.], v. 38, n. 2, p. 1–10, 2025. Disponível em: https://portalunifipmoc.emnuvens.com.br/rm/article/view/191. Acesso em: 12 nov. 2025c.

BICALHO, Lucas Matheus Araujo; ALVES, Luís Fernando de Souza. “O meu nome é Cu-ne-gun-des!”: identidade, poder e gênero em Êta Mundo Bom! (2016). Ciência da Informação em Revista, v. 11, p. 1–12, 2025b.

BICALHO, Lucas Matheus Araujo; ALVES, Luís Fernando de Souza. A transfiguração do feminino na literatura brasileira: uma análise sobre a figura da Maria Moura (1992) como símbolo de resistência e subversão aos papéis de gênero. Semina (UPF), v. 24, p. 63–82, 2025d.

BICALHO, Lucas Matheus Araujo; ALVES, Luís Fernando de Souza; MARQUIOLI, Stefany Reis; VIEIRA, Guilherme Carvalho; COSTA, Daniely Santos Ramos. A “solteirona” na série Bridgerton da Netflix: subversão e reinvenção de estereótipos no contexto social do século XIX. Cadernos Zygmunt Bauman, v. 13, n. 33, 1 dez. 2023. Disponível em: https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/bauman/article/view/24920. Acesso em: 25 nov. 2024.

BICALHO, Lucas Matheus Araujo; MARQUIOLI, Stefany Reis; ALVES, Luís Fernando Souza; VIEIRA, Guilherme Carvalho; SANTIAGO, Ioli Ferreira; FERNANDES, Mariana Ruas; MEDEIROS, Derliane Oliveira; DIAS, Alana Laviola; SOUZA, Amanda Castro de; CARVALHO, Eder Junior de. “Ele me tratava como uma rainha até eu querer a liberdade”: análise narrativa e reflexões sobre o caso Elize Matsunaga na Netflix. Ciências Humanas e Sociedade: estudos interdisciplinares, 1. ed. Paraná: Aya, 2025. v. 5, p. 26–38.

BICALHO, Lucas Matheus Araujo; REIS, Filomena Luciene Cordeiro. Suzane Von Richthofen: cruelmente “interessada, inteligente e aplicada”. Comunicação & Informação, Goiânia, Goiás, v. 27, p. 219–236, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.5216/ci.v27.80933.

BURKE, Peter. O que é história cultural?. 2. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2005.

BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Tradução de Renato Aguiar. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2019.

CARROLL, Lewis. Alice no país das maravilhas. São Paulo: Zahar, 2009.

DEL PRIORE, Mary. O castelo de papel: uma história de amor e poder no Brasil imperial. Rio de Janeiro: Rocco, 2015.

FERRO, Marc. Cinema e História. Tradução de Flávia Nascimento. São Paulo: Paz e Terra, 1992.

GILBERT, Sandra; GUBAR, Susan. A louca no sótão: a escritora e a imaginação literária do século XIX. Tradução de Denise Bottmann. São Paulo: Editora da UNESP, 2000.

JODELET, Denise. As representações sociais: um domínio em expansão. Tradução de Lilian Ulup. Rio de Janeiro: EdUERJ, 1989.

KRISTEVA, Julia. Poderes do horror: ensaio sobre a abjeção. Tradução de Maria Carlota Carvalho Gomes. Campinas: Papirus, 1989.

LAURETIS, Teresa de. A Tecnologia de gênero. In: HOLLANDA, Heloísa Buarque de (Org.). Pensamento feminista conceitos fundamentais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2019. 121-155p.

NAPOLITANO, Marcos. Como usar o cinema na sala de aula. São Paulo: Contexto, 2007.

SANTAELLA, Lucia. Culturas e artes do pós-humano. São Paulo: Paulus, 2008.

SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. In: HOLLANDA, Heloísa Buarque de (org.). Pensamento feminista conceitos fundamentais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2019. 49-80p.]

Downloads

Publicado

2025-11-24

Como Citar

Bicalho, L. M. A., Aragão, S. C. G., Souto, I. F. de Q., Feitosa, F. H. R., de Freitas, G. S. S., Silva, L. S., Campos, P. P., Moura, F. N. L., Marques, H. P., & Sales, J. F. (2025). “CORTEM-LHE A CABEÇA!’”: QUANDO O PODER FEMININO SE TORNA TRANSGRESSÃO. Aurum Editora, 394-408. https://doi.org/10.63330/aurumpub.018-029

Publicações do mesmo autor