“EU NÃO COSTUMO PERDER, MEU BEM”: ODETE ROITMAN E AS TENSÕES DA LIDERANÇA FEMININA NA SOCIEDADE PATRIARCAL
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.018-015Palavras-chave:
Gênero, Estereótipos, Liderança feminina, Novela, Odete RoitmanResumo
Este artigo analisa a personagem Odete Roitman em Vale Tudo (2025) como representação da mulher em posições de poder, com o objetivo de investigar de que forma ela tensiona estereótipos de gênero ao assumir a liderança empresarial e recusar a submissão masculina. A metodologia adotada fundamenta-se nos Estudos de Gênero e na História Social das Mulheres, por meio de revisão bibliográfica e análise crítica de obras sobre construção social do feminino, vilania feminina e exercício do poder por mulheres, permitindo articular conceitos históricos, sociológicos e culturais para interpretar como a personagem simboliza tensões entre emancipação e estigmatização, além de refletir continuidades e mudanças nas representações femininas na teledramaturgia brasileira. A análise evidencia que Odete Roitman combina estratégia, firmeza e presença simbólica para exercer autoridade, desafiando normas culturais que associam poder à masculinidade; sua atuação revela ambiguidades, pois, ao representar avanços na visibilidade feminina no poder, também sofre estigmatizações e julgamentos morais. Conclui-se que a personagem funciona como espaço de disputa simbólica, permitindo compreender a televisão como instrumento cultural que negocia e ressignifica relações de gênero, mostrando que a liderança feminina é complexa, estratégica e continuamente avaliada dentro de padrões históricos e sociais, evidenciando o papel da mídia na construção e transformação das representações do feminino na sociedade contemporânea.
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