RELATO DE EXPERIÊNCIA: DIÁLOGOS ENTRE SABERES NA LICENCIATURA INTERCULTURAL INDÍGENA DE URUÇUÍ – PI
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.062-076Palavras-chave:
Colonialidade do saber, Diversidade étnico-racial, Educação escolar indígena, Formação docente, Licenciatura Intercultural, Políticas públicas, Uruçuí – PIResumo
Este trabalho analisa a experiência de ministração da disciplina Política e Organização da Educação Escolar Básica para a turma da Licenciatura Intercultural Indígena do Polo de Uruçuí, Piauí, vinculada ao Programa Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (PARFOR) do Instituto Federal do Piauí (IFPI). A partir de uma abordagem metodológica baseada na pesquisa-formação e autoetnografia crítica, com suporte em observação participante, diário de campo, análise documental, registros fotográficos e narrativas orais de 30 cursistas — reunindo professores indígenas das etnias Akroá-Gamella e Gueguê, além de profissionais não indígenas que buscam se qualificar para atuar com educação intercultural — investiga-se como esses sujeitos reinterpretam, negociam e ressignificam as políticas públicas educacionais a partir de seus referenciais culturais e saberes experienciais. O diálogo com autores como Boaventura de Sousa Santos, Catherine Walsh, Pierre Bourdieu e Gersem Baniwa permite compreender que a formação docente voltada para a educação intercultural não se reduz à transmissão de normas estatais, mas configura-se como espaço de disputa de saberes, de resistência à colonialidade do poder e de aprendizado mútuo entre diferentes sujeitos. Os resultados indicam que a articulação entre legislação, teoria e vivências comunitárias fortalece o protagonismo docente indígena e reafirma o princípio da educação como direito coletivo, ao mesmo tempo que mostra que a presença de cursistas não indígenas pode ampliar o debate sobre a diversidade e a equidade na educação básica.
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