DÉFICIT DE ATENÇÃO EM TEMPOS DIGITAIS: HIPERESTIMULAÇÃO, APRENDIZAGEM E DESAFIOS ESCOLARES CONTEMPORÂNEOS
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.050-027Palavras-chave:
Atenção, Cultura digital, Aprendizagem, TDAH, Educação básicaResumo
A ampliação do uso de dispositivos digitais, redes sociais e plataformas algorítmicas modificou profundamente os modos de atenção, interação e aprendizagem de crianças e adolescentes. No contexto escolar, cresce a percepção docente acerca de estudantes com dificuldades de concentração, impulsividade, baixa persistência cognitiva e oscilações no engajamento acadêmico. Embora parte desses quadros se relacione a condições neurobiológicas reconhecidas, como o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), também se observa a influência de ambientes marcados por hiperstimulação sensorial, fragmentação informacional e consumo contínuo de estímulos rápidos. O presente artigo discute criticamente as relações entre cultura digital, déficit de atenção e dificuldades escolares contemporâneas, evitando reducionismos clínicos ou tecnológicos. Fundamenta-se em estudos da neuropsicologia, da educação e da cultura digital, com autores como Barkley, Diamond, Carr, Wolf, Han, Santaella e Freire. Defende-se que a escola precisa reconhecer a complexidade do fenômeno, articulando acolhimento pedagógico, práticas de autorregulação atencional, revisão metodológica e uso consciente das tecnologias. Conclui-se que a atenção tornou-se tema central da educação contemporânea e exige respostas institucionais que integrem ciência, pedagogia e ética.
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