RAÇA, CAPITALISMO E EUROCENTRISMO NO PENSAMENTO DE ANÍBAL QUIJANO
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.043-003Palavras-chave:
Colonialidade do poder, Modernidade, América LatinaResumo
O presente trabalho discute o pensamento de Aníbal Quijano com ênfase na colonialidade do poder, na gênese racial da modernidade e na constituição do padrão mundial de poder articulado ao capitalismo e ao eurocentrismo. Parte-se da compreensão de que a modernidade, longe de representar somente um período de avanços históricos, constituiu-se no interior da conquista da América e produziu classificações sociais fundadas na ideia de raça, reorganizando o trabalho, o poder, o conhecimento e as relações entre os povos em escala mundial (Quijano, 2005; Dussel, 2005). O texto examina como as identidades sociais produzidas no processo colonial, entre elas índios, negros, mestiços e europeus, passaram a compor hierarquias duráveis, ligadas à exploração econômica, à violência epistêmica e à inferiorização de culturas e saberes não europeus (Quijano, 2005; Oliveira; Candau, 2013). Analisa-se, ainda, o mito da modernidade como narrativa que posicionou a Europa no centro da história mundial e relegou os povos colonizados ao passado, à irracionalidade e à primitivização, legitimando a exploração e a dominação material e simbólica (Dussel, 2005; Quijano, 2005). Em seguida, discute-se a formação do capitalismo mundial na América, com destaque para a escravidão, a servidão e a produção mercantil voltadas ao mercado global, processo que consolidou a centralidade europeia no sistema-mundo (Quijano, 2005; Wallerstein, 1999; Ribeiro, 1995). Por fim, o trabalho sustenta que a leitura decolonial oferece um caminho para repensar a América Latina a partir de suas memórias, de seus sujeitos e de suas histórias silenciadas, recolocando em pauta a descolonização do poder, do saber e do ser (Quijano, 2005a; Clímaco, 2014).
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