SEXISMO COMO CULTURA DÚBIA: DA PROTEÇÃO À SUBMISSÃO
DOI:
https://doi.org/10.63330/armv2n5-103Palavras-chave:
Sexismo, Patriarcado, Dominação simbólica, Gênero, Submissão femininaResumo
O presente artigo analisa o sexismo enquanto edificação cultural ambivalente, caracterizada pela coexistência entre discursos de proteção feminina e dispositivos de submissão socialmente legitimados. Parte-se da compreensão de que o patriarcado historicamente desenvolveu formas sutis de dominação que operacionalizam não apenas pela violência explícita, mas também pela idealização da mulher como pessoa frágil, moralmente inferior e dependente do cuidado masculino. Fundamentado nas contribuições teóricas de Simone de Beauvoir, Pierre Bourdieu, Heleieth Saffioti, Judith Butler, Bell Hooks, Peter Glick, Susan Fiske, Marcia Tiburi e Guacira Lopes Louro, o estudo traz para o palco das discussões, como o sexismo benevolente atua na naturalização das desigualdades de gênero e na manutenção do controle simbólico sobre os corpos e comportamentos femininos. Analisa-se ainda a continuidade dessas estruturas na contemporaneidade, especialmente através das relações afetivas, da educação e das redes sociais. Conclui-se que o discurso protetivo frequentemente mascara relações de poder, tornando a submissão feminina socialmente aceitável e culturalmente reproduzida.
Downloads
Referências
BEAUVOIR, Simone de. O Segundo Sexo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016.
BOURDIEU, Pierre. A Dominação Masculina. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012.
BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Tradução de Renato Aguiar. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.
GLICK, Peter; FISKE, Susan. The Ambivalent Sexism Inventory: Differentiating Hostile and Benevolent Sexism. Journal of Personality and Social Psychology, 1996.
HOOKS, bell. Tudo sobre o amor: novas perspectivas. Tradução de Stephanie Borges. São Paulo: Elefante, 2021.
KLEMZ, Charles. Inclusão ou diversidade?. Identidade!, São Leopoldo, v. 28, n. 1, p. 385–397, jan./jun. 2023. Disponível em: https://revistas.est.edu.br/Identidade/article/view/2646. Acesso em: 9 jun. 2026.
LOURO, Guacira Lopes. Gênero, Sexualidade e Educação. Petrópolis: Vozes, 2014.
PEDROSO, Fabiano; KLEMZ, Charles. The violence of prophetic language: poetry, rupture, and denunciation in the oracles of amos. Remunom, v. 2, p. 1-18, maio 2026. Disponível em: https://remunom.ojsbr.com/multidisciplinar/article/view/6556. Acesso em: 9 jun. 2026.
SAFFIOTI, Heleieth Iara Bongiovani. Gênero, patriarcado, violência. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2004.
TIBURI, Marcia. Como conversar com um fascista: reflexões sobre o cotidiano autoritário. Rio de Janeiro: Record, 2015.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.