QUANDO A ESCOLA SE TORNA ABRIGO: ENTRE A FUNÇÃO EDUCATIVA E A PRECARIZAÇÃO DA PROTEÇÃO SOCIAL EM CONTEXTOS DE DESASTRE
DOI:
https://doi.org/10.63330/armv2n5-024Palavras-chave:
Escola, Vulnerabilidade social, Desastres socioambientais, Proteção social, DesigualdadeResumo
O presente artigo analisa criticamente o papel assumido pelas escolas públicas em contextos de desastres socioambientais, especialmente quando transformadas em abrigos provisórios para populações atingidas por enchentes, deslizamentos e demais eventos climáticos extremos. Parte-se da compreensão de que a utilização recorrente das instituições escolares como espaços emergenciais de acolhimento evidencia não apenas sua relevância comunitária e fomentação do desenvolvimento e acolhimento social, mas também a insuficiência histórica das políticas públicas de habitação, planejamento urbano e proteção social no Brasil. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, bibliográfica e de abordagem interdisciplinar, fundamentada em autores da educação crítica, sociologia contemporânea e geografia social, como Paulo Freire, Ulrich Beck, Zygmunt Bauman, Miguel Arroyo, Milton Santos. Defende-se que, embora a escola desempenhe papel fundamental no acolhimento de populações vulnerabilizadas, sua conversão em abrigo revela processos de naturalização da precariedade estatal e deslocamento das responsabilidades públicas para instituições educativas já fragilizadas. Conclui-se que a recorrente utilização das escolas como espaços contextualizados de emergência explicita contradições estruturais da sociedade contemporânea, marcada pela desigualdade social, pela vulnerabilidade climática e pela insuficiência das políticas de proteção humana.
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