DIFERENÇAS NUTRICIONAIS E BIOATIVAS ENTRE LEITE HUMANO E FÓRMULAS INFANTIS COMERCIAIS: IMPLICAÇÕES PARA A SAÚDE PÚBLICA E O DESAFIO DO CONHECIMENTO NO BRASIL

Autores

  • Deborah Heloise Fernandes Machado Autor
  • Maria Fernanda Miriani Vignoto Autor
  • Lorena Maia da Silva Autor
  • Lorena Moran Bombonato Autor
  • Larissa Ayumi Ussuda Autor
  • Maicon Henrique Braz Garcia Autor
  • Isabela Maraschi Albuquerque Autor
  • Ana Clara Freire Scomparin Autor
  • Ingrid Beatriz Campanha Autor
  • Anna Klara da Rosa Autor

DOI:

https://doi.org/10.63330/aurumpub.024-034

Palavras-chave:

Leite humano, Fórmulas infantis, Componentes bioativos, Saúde pública

Resumo

O leite humano é amplamente reconhecido como o padrão-ouro da nutrição infantil devido à sua composição complexa, dinâmica e biologicamente ativa, sendo fundamental para o crescimento adequado, o desenvolvimento imunológico e a maturação neurológica do lactente. Apesar das recomendações da Organização Mundial da Saúde e do Ministério da Saúde do Brasil para o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida, os índices de adesão permanecem abaixo das metas estabelecidas, o que favorece a introdução precoce de fórmulas infantis. Nesse contexto, este capítulo tem como objetivo analisar criticamente as diferenças nutricionais e bioativas entre o leite humano e as fórmulas infantis comerciais, bem como discutir as implicações dessas diferenças para a saúde pública brasileira. O leite humano contém macronutrientes altamente biodisponíveis e uma ampla variedade de componentes bioativos, incluindo oligossacarídeos do leite humano, células vivas, imunoglobulina A secretora, enzimas, hormônios, citocinas e fatores de crescimento, que exercem papel essencial na proteção contra infecções e na modulação do sistema imunológico. Esses elementos não são plenamente reproduzidos pelas fórmulas infantis, mesmo com os avanços tecnológicos recentes. A ausência ou limitação desses componentes nos substitutos do leite materno está associada a maior risco de morbidades infecciosas, alterações no desenvolvimento imunológico e possíveis impactos no desenvolvimento neurocognitivo. Adicionalmente, o capítulo aborda o papel do marketing de fórmulas infantis, especialmente no ambiente digital, como fator que contribui para a desinformação e o enfraquecimento da confiança no aleitamento materno. Embora o Brasil possua um marco regulatório relevante, representado pela Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância (NBCAL), persistem desafios relacionados à fiscalização e à adaptação das estratégias mercadológicas. Conclui-se que a promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno devem permanecer como prioridade nas políticas públicas, aliadas ao fortalecimento da informação científica e à regulação efetiva da comercialização de substitutos do leite materno.

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Referências

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Publicado

2026-01-07

Como Citar

Machado, D. H. F., Vignoto, M. F. M., da Silva, L. M., Bombonato, L. M., Ussuda, L. A., Garcia, M. H. B., Albuquerque, I. M., Scomparin, A. C. F., Campanha, I. B., & da Rosa, A. K. (2026). DIFERENÇAS NUTRICIONAIS E BIOATIVAS ENTRE LEITE HUMANO E FÓRMULAS INFANTIS COMERCIAIS: IMPLICAÇÕES PARA A SAÚDE PÚBLICA E O DESAFIO DO CONHECIMENTO NO BRASIL. Aurum Editora, 323-333. https://doi.org/10.63330/aurumpub.024-034

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