A CRISE ESTÉTICA NOS TEMPOS DE INTELIGÊNCIA ARTIFICAL: UMA DISCUSSÃO SOB AS PERSPECTIVAS DE JEAN BAUDRILLARD, SUSAN SONTAG, ANDRÉ BAZIN, PIERRE LÉVY E JACQUES RANCIÈRE

Autores

  • Glauber Brasileiro Batista Filho Autor

DOI:

https://doi.org/10.63330/aurumpub.073-004

Palavras-chave:

Crise Estética, Imagem Sintética, Inteligência Artificial Generativa, Simulacro, Virtualização

Resumo

A produção massiva de imagens e vídeos sintéticos por sistemas de inteligência artificial generativa instaurou uma crise estética que compromete a capacidade de distinguir o registro do artifício e reconfigura a percepção da realidade. O artigo investiga esse fenômeno por meio de pesquisa teórica de natureza qualitativa, desenvolvida como revisão narrativa da literatura, que articula o pensamento de Jean Baudrillard, Susan Sontag, André Bazin, Pierre Lévy e Jacques Rancière como referencial conceitual. O objetivo geral consiste em examinar filosoficamente de que modo as imagens geradas por esses sistemas abalam a percepção estética da realidade. Como objetivos específicos, o estudo analisa a fusão entre o real e o virtual, investiga a manipulação dos afetos humanos pela imagem sintética e discute possibilidades de resistência à captura corporativa da potência de virtualizar. A análise indica que o vocabulário conceitual dos cinco autores, formulado em sua maior parte antes do surgimento dessas tecnologias, descreve com precisão seus efeitos estéticos, éticos e políticos, revelando uma trajetória contínua que vai da fotografia indicial ao simulacro sem referente. O estudo conclui que o irreal se converteu no novo real e o artificial na nova organicidade da experiência contemporânea, uma vez que a imagem sintética passou a anteceder aquilo que outrora se limitava a representar. Como contribuição crítica, aponta a reconstrução de formas coletivas de percepção e de interpretação como via de enfrentamento da homogeneização promovida pela lógica de mercado das grandes corporações digitais.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Referências

ANTONIONI, Michelangelo. Blow-Up: depois daquele beijo. Produção de Carlo Ponti. Reino Unido; Itália: Metro-Goldwyn-Mayer, 1966. 1 filme (111 min).

BAUDRILLARD, Jean. Simulacros e simulação. Tradução de Maria João da Costa Pereira. Lisboa: Relógio D'Água, 1991.

BAUDRILLARD, Jean. Tela total: mito-ironias da era do virtual e da imagem. Tradução de Juremir Machado da Silva. 4. ed. Porto Alegre: Sulina, 2005.

BAZIN, André. O que é o cinema? Tradução de Eloisa Araújo Ribeiro. Apresentação e apêndice de Ismail Xavier. São Paulo: Ubu Editora, 2018.

BIGELOW, Kathryn. Estranhos prazeres. Produção de James Cameron e Steven-Charles Jaffe. Estados Unidos: Lightstorm Entertainment, 1995. 1 filme (145 min).

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia, vol. 1. Tradução de Aurélio Guerra Neto e Célia Pinto Costa. São Paulo: Editora 34, 1995.

LÉVY, Pierre. O que é o virtual? Tradução de Paulo Neves. São Paulo: Editora 34, 1996.

RANCIÈRE, Jacques. A ficção documental: Marker e a ficção da memória. Arte & Ensaios: Revista do PPGAV/EBA/UFRJ, Rio de Janeiro, n. 21, p. 179-189, dez. 2010.

RANCIÈRE, Jacques. O destino das imagens. Tradução de Mônica Costa Netto. Rio de Janeiro: Contraponto, 2012.

RANCIÈRE, Jacques. O inconsciente estético. Tradução de Mônica Costa Netto. São Paulo: Editora 34, 2009.

ROTHER, Edna Terezinha. Revisão sistemática X revisão narrativa. Acta Paulista de Enfermagem, São Paulo, v. 20, n. 2, p. v-vi, abr./jun. 2007.

SCOTT, Ridley. Blade Runner: o caçador de andróides. Produção de Michael Deeley. Estados Unidos: Warner Bros., 1982. 1 filme (117 min).

SCOTT, Tony. Top Gun: ases indomáveis. Produção de Don Simpson e Jerry Bruckheimer. Estados Unidos: Paramount Pictures, 1986. 1 filme (109 min).

SONTAG, Susan. Sobre fotografia. Tradução de Rubens Figueiredo. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

SPIELBERG, Steven. Minority Report: a nova lei. Produção de Gerald R. Molen, Bonnie Curtis, Walter F. Parkes e Jan de Bont. Estados Unidos: 20th Century Fox; DreamWorks Pictures, 2002. 1 filme (145 min).

WEIR, Peter. O show de Truman: o show da vida. Produção de Scott Rudin, Andrew Niccol, Edward S. Feldman e Adam Schroeder. Estados Unidos: Paramount Pictures, 1998. 1 filme (103 min).

Publicado

2026-09-15

Edição

Seção

Capítulos

Como Citar

Batista Filho, G. B. (2026). A CRISE ESTÉTICA NOS TEMPOS DE INTELIGÊNCIA ARTIFICAL: UMA DISCUSSÃO SOB AS PERSPECTIVAS DE JEAN BAUDRILLARD, SUSAN SONTAG, ANDRÉ BAZIN, PIERRE LÉVY E JACQUES RANCIÈRE. Aurum Editora (e-Books), 72-94. https://doi.org/10.63330/aurumpub.073-004