ASSOCIAÇÃO ENTRE OS DISTÚRBIOS DO MOVIMENTO INTESTINAL COM OS SINTOMAS DEPRESSIVOS
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.068-014Palavras-chave:
Constipação, Depressão, Diarreia, Eixo intestino-cérebro, Microbiota intestinal, Motilidade gastrointestinal, Transtornos da interação intestino-cérebroResumo
As alterações da motilidade intestinal, incluindo constipação, diarreia e modificações do hábito intestinal, apresentam elevada frequência na população e podem estar associadas a manifestações psicológicas, entre elas sintomas depressivos. Nas últimas décadas, a compreensão da relação entre o trato gastrointestinal e o sistema nervoso central foi ampliada pelo conceito de eixo intestino-cérebro e, posteriormente, pelo reconhecimento dos transtornos da interação intestino-cérebro (Disorders of Gut-Brain Interaction – DGBI). Esses transtornos envolvem mecanismos complexos relacionados à motilidade gastrointestinal, hipersensibilidade visceral, microbiota intestinal, imunidade, metabolismo e processamento central dos estímulos viscerais. O presente artigo tem como objetivo analisar a associação entre alterações da motilidade intestinal e sintomas depressivos, discutindo possíveis mecanismos fisiopatológicos envolvidos nessa relação. Evidências recentes indicam associação particularmente consistente entre constipação e depressão, embora a natureza dessa relação permaneça predominantemente associativa, não sendo possível estabelecer, apenas a partir dos estudos observacionais, uma relação causal unidirecional. A comunicação bidirecional entre intestino e cérebro pode envolver vias neurais, autonômicas, endócrinas, imunológicas e metabólicas, além de alterações da microbiota intestinal. A depressão, por sua vez, também pode modificar hábitos alimentares, atividade física, sono, percepção dos sintomas e função autonômica, contribuindo para alterações da motilidade intestinal. Dessa forma, a avaliação clínica de pacientes com alterações persistentes do hábito intestinal deve considerar a possibilidade de sintomas depressivos concomitantes, especialmente quando existe impacto significativo na qualidade de vida. A abordagem integrada entre saúde gastrointestinal e saúde mental pode contribuir para uma compreensão mais abrangente desses pacientes.
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