A FEIRA DE CARUARU NO SÉCULO XIX: UMA ANÁLISE A PARTIR DO INVENTÁRIO DE RICARDO JOSÉ BEZERRA (1862)
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.039-004Palabras clave:
Feira de Caruaru, Inventário Post-mortem, Cultura Material, Comércio Oitocentista, Agreste PernambucanoResumen
O presente trabalho é um estudo de caso documental com abordagem qualitativa que propõe analisar a configuração econômica e social da feira de Caruaru ao longo da primeira metade do século XIX, utilizando como fonte primária o inventário post-mortem do comerciante Ricardo José Bezerra, falecido em 1862. A pesquisa fundamenta-se na História Social da Cultura Material e na microanálise qualitativa, buscando interpretar o inventário não apenas como uma lista de bens, mas como um artefato social que revela práticas comerciais e hierarquias simbólicas. Metodologicamente, os itens foram transcritos e organizados em categorias analíticas: ferragens, tecidos, miudezas, gêneros de consumo e força de trabalho (escravizados). Os resultados indicam que o inventariado integrava uma fração intermediária da elite local, atuando como um articulador entre o comércio urbano e o mundo rural. A diversidade do estoque revela que a feira de Caruaru funcionava como um centro multifuncional, atendendo desde as necessidades básicas de trabalhadores até o consumo de luxo de segmentos abastados. Conclui-se que o trabalho escravo era parte estruturante dessa economia urbana, sustentando o movimento mercantil da região.
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