SAÚDE MENTAL NO BRASIL E SEUS DESAFIOS NA ATUALIDADE
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.049-010Palavras-chave:
Atenção psicossocial, Reforma psiquiátrica, Rede de cuidados, Estigma social, Políticas públicasResumo
O estudo teve como objetivo discutir a situação da atenção em saúde mental no Brasil e os desafios enfrentados na atualidade, articulando um panorama histórico do cuidado psiquiátrico com a reorganização de serviços e práticas orientadas pelo cuidado em liberdade. Adotou-se metodologia de revisão de literatura, de caráter qualitativo e narrativo, com levantamento e seleção de produções nacionais relacionadas ao tema, buscando identificar marcos de transformação do modelo assistencial, obstáculos contemporâneos e possibilidades de aprimoramento da rede de cuidados. Os resultados indicam que, embora a Reforma Psiquiátrica tenha impulsionado a substituição progressiva do modelo centrado na internação por estratégias territoriais e comunitárias, persistem desigualdades de cobertura e acesso, limitações de recursos humanos, fragmentação do acompanhamento e dificuldades de articulação entre serviços, com repercussões diretas na continuidade terapêutica e na reinserção social. Observou-se, ainda, que o estigma e a exclusão social continuam interferindo no reconhecimento do sofrimento psíquico, na busca por cuidado e no suporte familiar, contribuindo para a reprodução de práticas de controle e medicalização em alguns contextos. Conclui-se que os avanços alcançados dependem da consolidação de redes comunitárias integradas, da qualificação permanente das equipes e de políticas públicas que sustentem o cuidado longitudinal, com foco em direitos, cidadania e integralidade do atendimento.
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