DIAGNÓSTICO TARDIO DO HIV NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE: FATORES ASSOCIADOS, OPORTUNIDADES PERDIDAS E DESAFIOS PARA O DIAGNÓSTICO PRECOCE
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.068-017Palavras-chave:
Atenção Primária à Saúde, Diagnóstico Precoce, HIV, Sistema Único de Saúde, TestagemResumo
O diagnóstico tardio da infecção pelo HIV permanece como desafio relevante para a saúde pública, mesmo diante da ampla disponibilidade de testes rápidos, terapia antirretroviral e estratégias de prevenção combinada no Sistema Único de Saúde. Este capítulo objetiva analisar os fatores associados ao diagnóstico tardio do HIV, as oportunidades perdidas para sua detecção nos serviços e o papel da Atenção Primária à Saúde na ampliação do diagnóstico precoce. Trata-se de uma revisão narrativa de literatura, fundamentada em documentos oficiais do Ministério da Saúde, Organização Mundial da Saúde e UNAIDS, além de estudos nacionais e internacionais sobre testagem, diagnóstico tardio, vulnerabilidades e organização da assistência. As evidências indicam que o atraso diagnóstico resulta da interação entre baixa percepção de risco, estigma, desigualdades sociais e territoriais, barreiras de acesso, oferta insuficiente de testagem e falhas no reconhecimento de condições clínicas indicadoras. Observa-se ainda que parte das pessoas diagnosticadas em estágios avançados havia mantido contatos prévios com serviços de saúde sem que a possibilidade de infecção fosse investigada, caracterizando oportunidades perdidas. A Atenção Primária apresenta potencial estratégico para modificar esse percurso por meio da longitudinalidade, do vínculo, da testagem oportuna, da prevenção combinada e da coordenação do cuidado. Conclui-se que a redução do diagnóstico tardio exige normalização da testagem, qualificação das equipes, enfrentamento do estigma e integração efetiva entre Atenção Primária, vigilância e serviços especializados.
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