CRISE CLIMÁTICA E CORPOS MARCADOS: INTERSECCIONALIDADE, VULNERABILIDADE E INJUSTIÇA SOCIOAMBIENTAL
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.039-019Palavras-chave:
Ansiedade climática, Justiça ambiental, Interseccionalidade, Colonialidade, Saúde mentalResumo
A crise climática tem intensificado desigualdades socioambientais e produzido impactos significativos na saúde mental das populações, especialmente entre grupos socialmente vulnerabilizados. Nesse contexto, o presente estudo tem como objetivo analisar a ansiedade climática a partir das perspectivas da justiça ambiental, da interseccionalidade e da colonialidade, buscando compreender como os marcadores sociais da diferença influenciam a exposição aos riscos ambientais e os sofrimentos psíquicos relacionados às mudanças climáticas. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza teórica e bibliográfica, fundamentada em autores que discutem crise climática, desigualdades socioambientais e colonialidade do poder. Os resultados indicam que a ansiedade climática não se configura apenas como uma resposta individual ao medo do futuro, mas como um fenômeno socialmente situado, atravessado por desigualdades estruturais que afetam de forma mais intensa populações racializadas, empobrecidas e territorialmente vulneráveis. Conclui-se que a análise interseccional e decolonial da ansiedade climática contribui para a compreensão das relações entre saúde mental, território e injustiça ambiental, evidenciando a necessidade de políticas públicas e práticas profissionais comprometidas com a justiça socioambiental e o cuidado em saúde mental.
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