APRENDER A COMIDA: TERRITÓRIO, TRANSMISSÃO DE SABERES E EDUCAÇÃO NO SISTEMA AGRÍCOLA TRADICIONAL DO RIO NEGRO
DOI:
https://doi.org/10.63330/armv2n9-020Palabras clave:
Educação e territorialidade, Rio Negro, Saberes tradicionais, Sistemas alimentares, Transmissão intergeracionalResumen
O artigo discute de que modo os conhecimentos relacionados à produção, transformação, preparo, circulação e consumo de alimentos podem ser compreendidos como processos educativos produzidos no território do Rio Negro. Parte-se da documentação do Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro, registrado como patrimônio cultural do Brasil em 2010, em especial o dossiê de registro e o parecer técnico de reavaliação elaborado pelo Iphan em 2021, que reúne contribuições de detentores, pesquisadores e organizações da sociedade civil, e da obra coletiva sobre comidas tradicionais do Alto Rio Negro organizada por Luiza Garnelo e Gilda Barreto Baré. Essas fontes são lidas à luz de abordagens que tratam a aprendizagem como participação em práticas e como educação da atenção, e do debate brasileiro sobre educação indígena e educação escolar indígena. A análise bibliográfica e documental indica a importância da participação em atividades cotidianas e das relações de parentesco, casamento e cuidado para a aprendizagem alimentar, processo que depende de condições materiais, como a presença das plantas, o acesso à roça e o tempo de convivência entre gerações. As fontes registram também tensões: o deslocamento de jovens para a escolarização urbana, a monetização de atividades de transmissão e a distância entre a escola e os saberes do território. Conclui-se que salvaguardar um sistema alimentar implica assegurar as condições territoriais de reprodução dos conhecimentos, tarefa na qual a escola pode participar como uma instituição entre outras.
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