ENTRE A ROÇA, O RIO E A CIDADE: TERRITORIALIDADE E CIRCUITOS ALIMENTARES INDÍGENAS NO ALTO RIO NEGRO
DOI:
https://doi.org/10.63330/armv2n9-021Palavras-chave:
Alto Rio Negro, Povos indígenas, Sistemas alimentares, Territorialidade, UrbanizaçãoResumo
O artigo examina como a urbanização, a mobilidade territorial e as relações contemporâneas com o mercado reorganizam os circuitos pelos quais os alimentos são produzidos, obtidos, trocados e consumidos por populações indígenas no Alto Rio Negro, com atenção especial a São Gabriel da Cachoeira (AM). Trata-se de estudo bibliográfico e documental, que articula a literatura de geografia, antropologia e alimentação produzida sobre a região a documentos públicos, sobretudo os registros do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional relativos ao Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro e os resultados do Censo Demográfico de 2022. A noção de território usado, formulada por Milton Santos, orienta a leitura. Argumenta-se que a expansão da sede municipal não pode ser lida como simples abandono dos sistemas alimentares indígenas: a literatura registra arranjos multilocais que combinam roça, rio, floresta, redes de parentesco, comunidade, cidade, comércio e programas públicos. Esses arranjos expressam capacidade de recomposição, mas também decorrem de restrições concretas, como a escassez de terra cultivável no entorno urbano, os custos de deslocamento e a crescente necessidade de renda monetária. Conclui-se que o enfoque territorial permite descrever a alimentação como circulação entre lugares desigualmente equipados, e não como estado de conservação ou de perda de uma tradição, deslocamento analítico que tem consequências para a pesquisa e para o desenho de políticas.
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