TERRITÓRIOS PERIFÉRICOS E IMAGINÁRIOS: COLONIALIDADE, MEMÓRIA E EXPLORAÇÃO TERRITORIAL ENTRE O ACRE BRASILEIRO E A PATAGÔNIA ARGENTINA
DOI:
https://doi.org/10.63330/armv2n7-008Palavras-chave:
Acre, Colonialidade, Patagônia, Povos indígenas, TerritorialidadeResumo
A constituição dos Estados nacionais latino-americanos esteve profundamente associada à incorporação de territórios considerados periféricos, frequentemente representados como espaços vazios, inexplorados ou insuficientemente ocupados. Nesse contexto, este artigo analisa comparativamente os processos históricos de formação territorial do Acre brasileiro e da Patagônia argentina, especialmente da região de Viedma e Carmen de Patagones, buscando compreender como esses espaços foram incorporados aos projetos nacionais mediante dinâmicas de colonialidade, violência territorial e produção de imaginários políticos sobre as fronteiras. A pesquisa adota abordagem qualitativa, fundamentada em revisão bibliográfica e análise documental, dialogando com autores da teoria decolonial, da geografia crítica e da ecologia política latino-americana. Argumenta-se que tanto o Acre quanto a Patagônia foram historicamente concebidos como territórios periféricos destinados à expansão econômica, à consolidação da soberania estatal e à exploração de recursos naturais, legitimando processos de expropriação dos povos originários e permanências coloniais que ainda estruturam conflitos territoriais contemporâneos. Conclui-se que as atuais disputas envolvendo terras indígenas, conservação ambiental e neoextrativismo revelam a continuidade das racionalidades coloniais sob novas formas de desenvolvimento, reafirmando a centralidade da memória, da territorialidade e das resistências indígenas na construção de alternativas decoloniais para a América Latina.
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