O TERMO “ATÍPICO” E SUAS DERIVAÇÕES EM DISPUTA: LINGUAGEM, NORMATIVIDADE E CAPACITISMO NO CAMPO CONTEMPORÂNEO DA INCLUSÃO
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.063-020Palavras-chave:
Capacitismo, Deficiência, Inclusão, Neurodiversidade, Parentalidade atípicaResumo
O presente ensaio analisa criticamente o uso do termo “atípico” e de suas derivações, como “mãe atípica”, “pai atípico” e “parentalidade atípica”, no contexto contemporâneo das discussões sobre deficiência, neurodiversidade e inclusão. Partindo de uma revisão teórica interdisciplinar, o texto problematiza os processos sociais de nomeação da diferença, discutindo as relações entre linguagem, normatividade e capacitismo. Argumenta-se que tais categorias, embora produzam reconhecimento, pertencimento e mobilização política, também podem operar como formas contemporâneas de reorganização da norma, suavizando conflitos históricos associados à deficiência e deslocando desigualdades estruturais para registros individualizados e afetivos. O ensaio discute ainda as tensões entre a perspectiva da neurodiversidade e a categoria deficiência, especialmente no caso do autismo, evidenciando disputas epistemológicas e políticas em torno da valorização da diferença e da garantia de direitos. Além disso, analisa-se a parentalidade atípica à luz da divisão sexual do trabalho e da feminização do cuidado, para problematizar a sobrecarga feminina e a precarização social do cuidado em contextos neoliberais. Conclui-se que o uso dessas categorias exige reflexão crítica permanente, de modo a evitar a reprodução de formas sutis de capacitismo e normalização sob discursos aparentemente inclusivos.
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