DA IGUALDADE CONSTITUCIONAL À JUSTIÇA PEDAGÓGICA: EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA E LAICIDADE NO FUTURO DA ESCOLA BRASILEIRA
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.035-062Palabras clave:
Educação antirracista, Constituição Federal, Estado laico, Currículo crítico, Justiça epistêmicaResumen
O presente ensaio analisa a distância histórica e estrutural entre o princípio da igualdade formal estabelecido pela Constituição Federal de 1988 e sua efetivação concreta no campo educacional brasileiro, perguntando em que medida o sistema educacional tem sido capaz de transformar garantias constitucionais em práticas pedagógicas efetivamente antirracistas. Embora o texto constitucional assegure, em seu artigo 5º, inciso VI, a liberdade de consciência e de crença, reafirmando o caráter laico do Estado, tais garantias encontram obstáculos quando confrontadas com práticas pedagógicas marcadas pela centralidade de epistemologias eurocêntricas e pela marginalização de saberes afro-brasileiros, indígenas e quilombolas. A análise dialoga com contribuições teóricas do pensamento crítico do currículo e com perspectivas antirracistas e decoloniais, destacando autores como Abdias Nascimento, Antônio Bispo dos Santos, Nilma Lino Gomes e Kabengele Munanga. A partir dessa reflexão, propõe-se um modelo de reorganização epistemológica da escola pública brasileira baseado em três dispositivos institucionais: Sistema de Confluência Epistêmica Territorial, Avaliação por Justiça Epistêmica e Laboratório de Descolonização Curricular. Defende-se que a superação do racismo estrutural na educação exige mais do que a inclusão temática de conteúdos nos currículos, requerendo uma transformação nas formas de produção, circulação e legitimação do conhecimento escolar.
Descargas
Referencias
APPLE, Michael. Ideologia e currículo. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006.
BERNSTEIN, Basil. Pedagogy, symbolic control and identity. London: Taylor & Francis, 1996.
BISPO DOS SANTOS, Antônio. Colonização, quilombos: modos e significações. Brasília: INCTI/UnB, 2015.
BOURDIEU, Pierre; PASSERON, Jean-Claude. A reprodução: elementos para uma teoria do sistema de ensino. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1992.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília: Senado Federal, 1988.
DEMO, Pedro. Metodologia do conhecimento científico. São Paulo: Atlas, 2000.
FERNANDES, Florestan. A integração do negro na sociedade de classes. São Paulo: Ática, 1978.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
FRICKER, Miranda. Epistemic injustice: power and the ethics of knowing. Oxford: Oxford University Press, 2007.
GOMES, Nilma Lino. O movimento negro educador: saberes construídos nas lutas por emancipação. Petrópolis: Vozes, 2017.
GONZALEZ, Lélia. Racismo e sexismo na cultura brasileira. Revista Ciências Sociais Hoje. São Paulo: ANPOCS, 1988.
HOOKS, Bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. São Paulo: Martins Fontes, 2013.
MBEMBE, Achille. Necropolítica. São Paulo: n-1 edições, 2018.
MIGNOLO, Walter. Desobediência epistêmica: a opção descolonial e o significado de identidade em política. Cadernos de Letras da UFF, n. 34, 2008.
MUNANGA, Kabengele. Rediscutindo a mestiçagem no Brasil: identidade nacional versus identidade negra. Petrópolis: Vozes, 2004.
NASCIMENTO, Abdias. O genocídio do negro brasileiro. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978.
QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, Edgardo (org.). A colonialidade do saber. Buenos Aires: CLACSO, 2005.
SANTOS, Boaventura de Sousa. Para além do pensamento abissal. Revista Crítica de Ciências Sociais, n. 78, 2010.
SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Cortez, 2016.
Descargas
Publicado
Número
Sección
Licencia

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución-NoComercial-SinDerivadas 4.0.