O PAPEL FEMININO NA SOCIEDADE COLONIAL BRASILEIRA: IMAGINÁRIO CRISTÃO, CONTROLE PATRIARCAL E PRÁTICAS DE RESISTÊNCIA
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.018-037Palavras-chave:
Brasil colonial, Mulheres, Imaginário medieval, Controle social, GêneroResumo
A história das mulheres no Brasil colonial revela uma complexa rede de controles sociais, culturais e religiosos que condicionou seus corpos, sua sexualidade e suas possibilidades de atuação na sociedade. Este artigo objetiva analisar, em perspectiva histórica, como a dicotomia entre a mulher-Eva e o ideal mariano, construída no imaginário cristão medieval e atualizada no Brasil colonial, se prolonga e se reconfigura no Brasil contemporâneo, funcionando tanto como mecanismo de legitimação de normas de gênero quanto como repertório simbólico reinterpretado por mulheres e grupos que buscam maior autonomia. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter bibliográfico e documental, baseada em obras de referência sobre História das Mulheres, História do Imaginário e Idade Média, como Barros (2004), Duby (2009; 2013), Le Goff (2006; 2013), Macedo (2002), Priore (2004), Zierer (2017), além da Primeira Visitação do Santo Ofício às partes do Brasil (1935). A análise evidencia como a dicotomia medieval entre a mulher-pecadora (Eva) e a mulher-santa (Maria) foi atualizada no Brasil colonial, legitimando um modelo patriarcal de controle da sexualidade, do casamento e da maternidade. Mostra-se, ainda, que, apesar da forte repressão, emergiram práticas de resistência, como relações homossexuais femininas e apropriações ambíguas de discursos religiosos e mágicos. Conclui-se que o ideal feminino cristão, elaborado no medievo, foi transplantado e ressignificado no universo colonial, permanecendo como dispositivo de memória e normatização de gênero até a contemporaneidade.
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Referências
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