AGROECOLOGIA E PENSAMENTO COMPLEXO: UMA ANÁLISE TEÓRICA E EMPÍRICA NA REGIÃO DE SANANDUVA-RS
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.017-004Palavras-chave:
Agroecologia, Pensamento complexo, Revolução Verde, Paradigma reducionistaResumo
Este trabalho tem por objetivo analisar como a agroecologia, articulada ao pensamento complexo, pode constituir alternativa ao modelo agrícola instaurado pela Revolução Verde. Por meio de revisão bibliográfica qualitativa, discute-se a crítica ao paradigma reducionista que privilegia monoculturas, insumos químicos e homogeneização produtiva, cujos impactos negativos abarcam degradação ambiental, perda de biodiversidade e desigualdades sociais. Em contrapartida, argumenta-se que a agroecologia oferece um modelo sistêmico que integra saberes científicos e tradicionais, promove a diversidade e valoriza a autonomia dos agricultores, em consonância com os princípios da complexidade — recursividade, dialógica e hologramaticidade. Apesar de seu potencial transformador, a consolidação da agroecologia enfrenta desafios estruturais: a ausência de políticas públicas adequadas, a resistência do agronegócio, limitações na comercialização de produtos agroecológicos e a carência de formação e extensão rural voltadas ao paradigma. Em síntese, conclui-se que a efetiva transição agroecológica depende não apenas da ação dos produtores, mas também da articulação institucional e social, sendo necessário superar as barreiras identificadas para que esse modelo alcance escala e consolide-se como alternativa viável ao sistema convencional.
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