“ACORDARIA FELIZ, NUM MUNDO CHEIO DE PREÁS”: UM ESTUDO DA PERSONAGEM BALEIA EM VIDAS SECAS
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.051-017Palavras-chave:
Vidas Secas, Baleia, AntropomorfizaçãoResumo
O presente artigo analisa o processo de antropomorfização da personagem Baleia no romance Vidas Secas, de Graciliano Ramos, observando de que maneira a cachorra é construída como núcleo afetivo e simbólico da narrativa. Inicialmente, discute-se a composição do romance, sua estrutura fragmentária e a representação da seca, da miséria e da exclusão social no sertão nordestino. Em seguida, examinam-se aspectos relacionados às personagens, à pobreza linguística e à condição de precariedade vivida pela família de retirantes. A pesquisa caracteriza-se como bibliográfica e interpretativa, fundamentada em estudos críticos sobre a obra, especialmente nas contribuições de Antonio Candido e Fernando Cristóvão. Entende-se que Baleia ultrapassa a função de simples animal doméstico, sendo representada com sentimentos, memória, imaginação, medo e afetividade. Ao atribuir à personagem traços tradicionalmente associados ao humano, o romance tensiona as fronteiras entre humanidade e animalidade, evidenciando os efeitos do embrutecimento social provocado pela fome e pela exclusão. Conclui-se que a antropomorfização de Baleia constitui importante estratégia crítica utilizada por Graciliano Ramos para denunciar a desumanização vivida pelos retirantes sertanejos e reafirmar a permanência da sensibilidade em meio à violência e à escassez.
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Referências
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