TRANSPLANTE DE MICROBIOTA INTESTINAL FECAL: ESTADO DA ARTE E DESAFIOS CLÍNICOS
DOI:
https://doi.org/10.63330/aurumpub.034-025Palavras-chave:
Disbiose intestinal, Microbioma humano, Terapia microbiológica, Infecção por Clostridioides difficile, Modulação da microbiota IntestinalResumo
A microbiota intestinal corresponde a uma comunidade complexa de microrganismos que habitam o trato gastrointestinal humano e desempenham funções essenciais para a manutenção da saúde, incluindo participação na digestão de nutrientes, modulação do sistema imunológico, produção de metabólitos e proteção contra microrganismos patogênicos. Entretanto, diversos fatores, como uso de antibióticos, alterações dietéticas, condições ambientais e práticas de higiene, podem comprometer o equilíbrio desse ecossistema microbiano, levando à disbiose. Essa condição caracteriza-se pelo desequilíbrio entre microrganismos benéficos e potencialmente patogênicos e está associada ao desenvolvimento de diversas doenças, incluindo distúrbios gastrointestinais, doenças metabólicas, inflamatórias, autoimunes e neurológicas. Nesse contexto, o transplante de microbiota fecal (TMF) tem emergido como uma estratégia terapêutica promissora para restaurar o equilíbrio da microbiota intestinal. Essa técnica consiste na transferência de material fecal proveniente de um doador saudável para o trato gastrointestinal de um receptor, com o objetivo de restabelecer a diversidade e a funcionalidade microbiana. O procedimento pode ser realizado por diferentes vias de administração, como colonoscopia, enemas, sondas nasogástricas ou cápsulas orais, sendo estas últimas e a colonoscopia associadas a melhores resultados terapêuticos. O TMF apresenta elevada eficácia no tratamento de infecções recorrentes por Clostridioides difficile, com altas taxas de cura relatadas na literatura. Além disso, estudos recentes investigam seu potencial terapêutico em outras condições associadas à disbiose, como síndrome do intestino irritável, doenças inflamatórias intestinais, obesidade, diabetes tipo 2 e doenças neurodegenerativas. Apesar dos avanços, a aplicação clínica do TMF ainda enfrenta desafios relacionados à padronização dos protocolos, à seleção rigorosa de doadores, à segurança microbiológica do material transplantado e ao monitoramento dos efeitos a longo prazo. Dessa forma, mais estudos são necessários para consolidar essa abordagem como uma estratégia terapêutica segura e amplamente aplicável na prática clínica.
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